sábado, 27 de abril de 2013

Samba junto

Samba junto F.B.M.N. 27/04/2013

Você não sabe nada nada nada da minha vida
Nem mesmo se eu fumei maconha vencida
Você não sabe e tudo muda a todo instante
Até mesmo para um agonizante

Se ando muito o meu sapato é que vai dizer
E nem pergunta você vai fazer
Eu sei demais o que quero da vida
Nem mesmo sabes minha cor preferida

Samba comigo o samba da minha vida
Quem sabe entendes desilusões sofridas
A vida segue com tantos preconceitos
E não consegues pensar de outro jeito

Você não sabe nada da minha vida
Se me deitava com Violeta ou com Margarida
Se era difícil encarar problemas
Nunca soubestes e este é um dilema

Samba comigo o samba da minha vida
Quem sabe entendes derrotas doídas
Quantas vezes estive sozinho
Quem sabe hoje não saias de fininho

Você não sabe nada nada nada da minha vida
Se sei compor, dançar, viver de despedidas
Não sabes nada és muito ocupado
Tempo terás
Não ao meu lado   

Samba comigo mesmo sem saber
Quem sabe assim vais compreender
Riquezas outras imateriais
Dinheiro para ti ainda vale mais

Você não sabe nada da minha vida
Minhas confidências não foram ouvidas
Ouvir é diferente de escutar
E muitas vezes preferi calar

Samba comigo faça diferente
O passado ensina ou aniquila a gente
Você está sempre certo e sabe demais
Humilha sem sentir
Isso não se faz

Você não sabe nada nada nada da minha vida
Nem mesmo se já houve uma despedida
e outras coisas nunca vais saber
Quantas vezes em vida desejei morrer

Samba comigo o samba da minha vida
O ritmo é gostoso e enche a avenida
Tantas vezes fui derrotado
era derrota dupla não te ter ao meu lado.



Francisco Braz Neto(27/04/2013)

domingo, 21 de abril de 2013

Me metendo em Cuba

Em Cuba se pega um barquinho para buscar liberdade. Eu quero pegar um barquinho para pegar um lugar sem violência, com educação, com pessoas sabendo o que é respeito e mais umas "coisinhas bestas"...

segunda-feira, 1 de abril de 2013

CERTEZA E DÚVIDA

A certeza dói. 
A dúvida destrói. 
O sentimento mantém vivo. 
O carinho faz a existência valer a pena. 
A indiferença corta a esperança e as entranhas.
Escolhe para onde ir, vai mais longe.
Esse caminho você não conhece o fim.
Chico Braz Neto(5/08/2007) 

Para emitir opinião...

Para emitir opinião é muito bom quando somos os especialistas. Termos um monte de títulos, papéis bonitos, diplomas, certificados e mais e mais formas de dizer algo e ser levado a sério parece ser a condição que muitos julgam obrigatória. Será por comodismo que não enxergam outras possibilidades?
Quer saber se valorizo títulos, diplomas e etc? Sim, valorizo.
Acontece que valorizo algo ainda mais! O conhecimento adquirido independentemente. O saber adquirido pela observação de tudo e todos ao redor, pela leitura de bons livros, revistas, pela simples e ao mesmo tempo rica conversa com alguém detentor de conhecimentos vastos e construtivos, pelo contínuo questionar de tudo e até do que já está muito consolidado como verdade.
Valorizo muito mais quem vai além. Quem repete o que já está no conhecimento coletivo e reafirma algo sem se dar ao trabalho de incluir uma simples e mínima reflexão a respeito não provoca meu interesse. Não é um ser humano e sim um livro falante, uma gravação.
Eu atribuo a todos os seres humanos a inteligência e por decorrência disso espero que exista um enriquecimento de cada um com cada opinião que emitem.

E aqui chega minha quebra com o que uma massa de pessoas tem como paradigma. E ainda por cima são contraditórias. Por simplérrima observação flagramos todos emitindo opinião sobre assuntos sobre os quais não são experts, mas exigem em outras oportunidades que alguém da conversa seja. Na minha opinião vão continuar a fazer isso.
A minha quebra de paradigma é: podemos opinar tranquilamente sem sermos mestres ou doutores. Prefiro que pelo menos tenha existido um mínimo de reflexão a respeito do que vai falar. Se a opinião é de um mega, hiper, ultra doutor, ganhador de prêmios Nobel e afins que saiba que a responsabilidade só aumenta e de mim imploro que com tamanhas honrarias se trate de um questionador e não um vomitador.

Agora quero deixar exemplos.
Li uma "proibição" em uma rede social. Uma mãe reclamando de um livro sobre crianças escrito por alguém que não era pai/mãe.
Em uma conversa minha, meu interlocutor dizia algo do tipo: só quem estiver muito treinado e capacitado pode ser soldado, policial e afins.

No primeiro caso. Sou pai e dou opinião sobre crianças, sobre educação de crianças, sobre tudo relacionado a crianças, mas faço isso desde muito antes de ficar batendo no peito e esbravejando ter razão por simplesmente ser pai. Para falar sobre crianças e ter minha atenção seguirei os mesmos princípios já mencionados aqui, ou seja, se vier de alguém com 5 anos de idade e for bom observador darei todo o crédito e ainda vou acrescer valor a opinião pelo fato de vir de quem está vivenciando tudo. Ao ouvir uma opinião de uma pessoa de 60 anos que nunca teve filhos, porém tem um riquíssimo conjunto de reflexões feitas sobre o assunto, uma ampla gama de questionamentos sobre varias ''verdades", uma coletânea de estórias de vida verídicas, darei créditos muito respeitosos.
Se for para gostar de opiniões de sabichões sem sequer desconfiar que alguns deles estão emitindo aquelas opiniões por fazer parte de interesses pútridos, estou fora. Se for para desqualificar opiniões por simplesmente serem contrárias as suas, também estou fora.

No segundo caso pode chamar os chefes da Polícia Civil, da Polícia Federal, da Polícia Militar de qualquer estado do Brasil, qualquer General, qualquer autoridade no assunto que vou ser enfático com eles. O bom soldado é o da ocasião. Vou precisar que quem vier conversar comigo conheça história. Caso não conheça história talvez não seja possível sequer começar, mas por haver dois argumentos base vou ainda reservar uma esperança de não precisar descartar os desconhecedores da História.
O bom soldado. Super forte, alto, com vasta experiência em exercícios militares, boa saúde, uniforme impecável, treinamento na selva, no deserto, em táticas de guerrilha, sabe tudo sobre logística, mais ainda sobre telecomunicações e a lista de exigências segue sem ter muitas esperanças de acabar logo. De maneira intermediária, basta ter 18 anos e se não for nessa faixa etária então ferrou, só vai seguir na carreira militar se fizer provas de conhecimentos e físicos.
Pura ocasião! A quantidade de argumentos que puderem somar pode dar para encher um estádio de futebol mostrando que não tem nada a ver com ocasião. Eu vou repetir que tem. Ficar com restrições e exigências de só poder ser militar assim ou assado é para momentos de paz e só. Quando os vietnamitas estavam sendo atacados pelo super exercito dos Estados Unidos da América do Norte o que servia para lutar e pegar em metralhadora e na arma que desse eram crianças, mulheres, velhos e acho que por lá também diziam "se só tem tu vai tu mesmo".
Ah! Quer dizer que não é melhor ter um super exército, com fortões bombados e altamente treinados? Quem disse isso? Eu estou defendendo a opinião que mesmo sem ser especialista o que se tem a dizer pode ser valioso. Não adianta vir com obviedades. Traz o novo para um debate construtivo.
Para continuar a dar opinião vou falar das exigências para ser policial. Se algum policial estiver lendo esse texto, responde aí: preferes o concurso exigindo muito da parte física, da parte de conhecimentos e nada da parte moral e ética? Aí tu vais dar as costas e confiar em um colega de profissão que provou ter várias habilidades, mas não precisou provar nada e nem conta pontos quem essa pessoa é.
Reunindo policiais e soldados, ambas as profissões/cargos povoam nossas mentes. Estão em jornais impressos e televisivos. Estão em filmes nacionais e internacionais, mas independente da trama o que tenho como qualidades centrais de cada uma das profissões são a honra, a honestidade, a ética e o equilíbrio emocional. Se você não acha isso importante esquece o que falei e vire as costas tranquilo. Entendeu André? (só quem assistiu Tropa de Elite 2 vai entender)





 


sexta-feira, 29 de março de 2013

Sit down comedy.

Por que só stand up?
Se a pessoa é engraçada vai conseguir sentada também.
Essa do público ficar descansando e só o comediante em pé é fogo.

Pense que foi uma licença para escrever uma legítima bobagem.

Parem de rir!

segunda-feira, 25 de março de 2013

As razões dos sentimentos.

Para gostar não preciso de autorização.
Tenho parâmetros.
Obedeço o coração.
Honestidade é uma exigência.
E isso não é de hoje não.

Não precisa gostar de volta.
Isso não é problema não.
Com bondade e outras qualidades próprias
continua minha admiração.

Quando Amo é mais clara
minha forte emoção.
Amo incondicionalmente
e a felicidade é imensa dimensão.

Se de mim gostas muito
é simples a retribuição.
Sejas justo e honesto!
Assim não tem erro não.

Mas, também não sou adivinho.
Gosto das verdades nuas.
Somando atitudes e palavras
lágrimas não serão minhas nem suas.

Se eu não gosto de você
fique frio e siga em paz.
Não movo uma palha pro teu mal
nem conte comigo jamais.

Já precisei ser benzido.
Não duvido que precise de novo.
Inveja é sentimento maldito
e atinge criança, adulto e idoso.

Paixão é uma delícia!
Quem se lembra como é?
Eu aviso a quem posso:
não é um sentimento qualquer!

Quem me dera ser poeta!
Viver de trabalhar com emoção.
A vida me ordena frieza.
Sou escravo da condição.
Humano, pequeno e sem riqueza.
Com machucados no coração.

Acontece que na seqüência dos dias
Ela apareceu.
Ela se chama Luíza.
Razão para os melhores sentimentos meus.
Quebrando todos os limites, teorias e explicações
quase cinco anos de paixão preencheu.
Tudo de bom em mim: -é seu.






domingo, 17 de fevereiro de 2013

Sábado de futebol ou de tiroteio?

Adolescente brasileiro baleado ontem. 
Só queria ver o jogo do time do coração. 
Veio uma bala e deixou o jovem no chão. 

Virou número? Decida!
O bairro dos Aflitos não precisa justificar o nome. Não é necessário, nem oportuno e muito menos adequado um trocadilho.
Quando 2013 acabar os vivos vão contar quantos mortos se foram ao longo do ano.
O Brasil tem problemas. Qualquer lugar os tem. A quantidade de problemas que temos aqui vive levando de cada um de nós pessoas amadas. E daí? O ser humano é adaptável, certo? A gente se acostuma com tudo, não é?
O jogo entre Náutico e Central era para ser apenas mais um e conseguiu. 
Apenas mais um em que a violência esteve presente.
Apenas mais um no qual perguntas vão ficar sem respostas honestas. Mais um jogo em que o saldo é negativo.



Estamos em 2013 e o que mudou? Muita coisa. Poucas coisas mudaram. Nada mudou. Três respostas distintas e igualmente corretas. Vai dar trabalho apenas ter de separar o que ou quem se enquadra em cada uma das respostas. 
O que vai até o momento para o grupo do nada mudou é a violência no Brasil. Em Santa Catarina a Força de Segurança foi enviada e um toque de recolher estava instaurado.
Em São Paulo, o: bandido mata policial e policial mata bandido, está num eterno vai e vem.  


O ano passado foi assim. Um tal de milhares morrendo por acidentes em veículos automotores. Outros milhares assassinados. Cada um que passou por algo parecido, teve alguém próximo que passou ou escutou de alguém numa conversa da vida, levanta o braço aí. Esse é o nosso carnaval, nossa micareta, nossa dose diária de adrenalina reversa. 
Sabe o que é adrenalina reversa? É essa droga presente no ar que respiramos na Terra Brasilis. É ela que nos deixa pacatos e felizes, balançando o esqueleto e rindo de tudo. "Bota a mão no joelho dá uma abaixadinha ... balançando a bundinha." 
Enquanto isso o adolescente está lutando. Ele não teve escolha e mesmo assim pode ser tarde para ele e para os familiares dele. Da mesma forma que foi tarde para as pessoas da boate Kiss. Tarde para todos os mortos nas estradas e os assassinados. 
Não me dê razão, dê a si mesmo tempo para refletir. Reflita se é válido fugir e fingir. Seguir no caminho da indiferença e na filosofia do: enquanto não for comigo está tudo lindo e maravilhoso.
Entorpecente é qualquer coisa que te entorpece. Essa é a pedra fundamental do que me leva a crer na adrenalina reversa. Já estudou algo sobre viciados? Alcoólatras ou, ... qual é mesmo o nome do momento? Bem, seja lá qual for o vício ou dependência, em comum há a condição primordial para parar. O reconhecimento. Não conseguir reconhecer o quanto se está dependente da adrenalina reversa vai fazer com que nunca se obtenha a liberdade da mesma.
Dia 16 de fevereiro de 2013, ontem em comparação ao dia que este texto está sendo escrito. Ao que sei este jovem não foi até a violência, mas a violência foi até ele. 



Por que o ônibus de uma torcida rival, aliás aqui a palavra inimiga é a adequada, passa precisamente em frente a torcida do outro time? Eu sei a resposta. Daí a admitirem é outra coisa. Daí a transformarem em só mais uma opinião e o mais normal. Colocarem como algo ridículo é um pulo. Para transformarem em ridículo é com a mesma eficiência e energia que a utilizada para transformar a vida em morte. 

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Filósofo de Sábado de Carnaval.

Não é encontrando um país em pior situação em cada um dos temas que eu abordar que vamos melhorar. Fazendo assim vamos é piorar.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Aprender: um verbo de Ação.


Falando sobre o que considero mito e o que acredito ser verdade sobre aprendizado.

Em 1995 eu comecei uma contagem e até o dia de hoje sigo com ela. Os dias, meses e anos que estão juntos na minha carreira de professor chegaram aos 18 anos. Quase duas décadas. Parece muito, contudo é menos do que a quantidade de anos em que fui aluno. Por me considerar um eterno aluno da escola da vida e aluno em potencial da forma mais tradicional, com sala de aula, professor, chamada e etc. Aí é que fica mais forte o peso dos argumentos e da visão do eterno aluno que por hora vos escreve. Acrescento ainda o fato de recordar de muitas coisas dos meus tempos de escola.

Agora vamos ver se há algum segredo para conseguir aprender seja lá o que for.
Curto e grosso. Rápido e rasteiro. Não. Com o uso correto e literal da palavra segredo não existe. O que existe então? Bem, vou enumerar vários caminhos para atingir o aprendizado, mas a obviedade será companheira. Três décadas como aluno e as seguintes observações ficaram cada vez mais sólidas.

Primeiro. Quer aprender? Comece. Que foi? Fez dã pra mim? Pro texto? Avisei que a obviedade seria companheira. Agora que você parou de me ofender em pensamento, gasta as energias para lembrar-se do monte de vezes ao longo da sua vida em que escutou alguém falando em fazer um curso. Inclua a si mesmo e aí vai ser mais produtivo. Ampliando o gasto energético, pense em quantas vezes as explicações para não começar passaram por questões financeiras, tempo, oportunidade e tantas outras razões. Então não vamos para o campo das lamentações e valoriza comigo esta obviedade. Começa, nem que seja sendo autodidata e passe para a parte dois.

Segundo. Quer aprender? Continue. Não desista. Que foi? Vai desistir, não é? De ler até o fim. Dã duplo. A obviedade segue, mas só com essas duas observações feitas ao longo da vida e incessantemente reforçadas, enquadro quase todo mundo. Meus alunos são, em sua grande maioria, sinceros e ao serem sinceros comigo fica melhor se ouvirem atentamente o que dizem. Eles dizem: “já comecei e parei milhares de vezes”. Guardemos os milhares para a área da metáfora e o começa, para, começa, para e de novo... literal. Está dando murro na mesa? Não consegue aprender mesmo estando fora dos dois pontos já expostos. Vai para o terneiro. Afinal, você não é de desistir. Quanto a você que se encaixa perfeitamente neste desiste, desiste, desiste eterno, o que sentes quando encontras com alguém que começou igual com você, era muito ruim, tinha dificuldades e agora ficastes sabendo que ele ou ela está muito bom? Vai para o terceiro para relaxar um pouco. Ficar se lamentando não fará você aprender nada novo. Lamentar já é um doutorado universal.

Terceiro. Quer aprender? Faça volume de horas de estudo. Quantas horas por dia? O máximo que der. Não o meu máximo, o seu.
Quantos dias por semana? O máximo que der.
Quantas semanas por mês? Advinha! 
Quantos meses por ano? Suspense!
Quantos anos? Peguei vocês! Não é o máximo que der e sim a quantidade que for necessária de acordo com o seu objetivo.
As perguntas dos meus alunos são tão repetitivas quanto um mantra é. Minhas respostas acabam sendo igualmente repetitivas. Aliás, a resposta para cada uma das perguntas deste terceiro tópico tem uma ligação com o objetivo de cada um. Na prática, quem precisa aprender, está numa pressão danada para conseguir e seja lá qual for a razão ficou no aprende ou se ferra e ainda por cima tem prazo estipulado, hum... acaba é virando CDF (sem explicações para a sigla, talvez pessoalmente, um dia que nos encontremos e você não saiba o que é).
Puxando para os alunos de idiomas. Essa de ter as aulas padrão, normalmente, em sua grande maioria, com dois encontros com o professor de 1h e 15 minutos ou um só de 2h, sendo que o aluno só abre o livro quando o professor pede e fecha na primeira oportunidade e só abre novamente na aula seguinte não tem muitas chances de dar certo. Dar certo pode até dar, mas demoooora.
Mito. Para aprender preciso ir para um país onde o idioma é o que quero aprender. O que é verdade e sinônimo do que estamos abordando agora? Volume! Poxa vida! Você é um brasileiro e acorda ouvindo uma rádio em inglês, assiste ao telejornal em inglês, vai trabalhar e ouve músicas em inglês no carro, no ônibus ou seja lá qual meio de transporte for, pergunta a todos os colegas quem é que fala inglês e depois que descobre fala sempre que pode com eles em inglês, chega em casa do trabalho e para relaxar vai ler um livro em inglês ou escutar músicas, dependendo do dia acessa um site em inglês, aprende  todos os dias palavras novas com um simples dicionário, tem condições de pagar um curso, tem condições de ter um professor particular e se o texto fosse só sobre as possibilidades mais um monte delas, você veria que uma pessoa desinteressada, mesmo num país de língua inglesa não vai aprender uma fração do que você vai. É legal ir para o outro país? Precisa responder. Não é? Digo aos meus alunos que sim. Repito: SIM! Mas não é obrigatório e nem causa problemas. Lá no outro país a chance é esmagadoramente maior de ter volume, você vai ter 24 horas por dia do novo idioma à disposição. Caso você não faça uso dessa oportunidade, você vai ter um resultado pífio.

Quarto. Quer aprender? Não tenha vergonha. A inteligência é algo magnificamente democrático, por sua vez o conhecimento mesmo que disponível não é consumido em grandes quantidades e nem por muitas pessoas. A maior desgraça desse desencontro? A inteligência sem conhecimento é o mesmo que um solo ruim com sementes boas, a produtividade é baixa. O conhecimento sem inteligência é o mesmo que uma arma de destruição em massa, eficaz ao que se propõe ao mesmo tempo em que é extremamente perigoso. No fim das contas receba de bom grado pelo menos este texto te dizendo: és inteligente! Meus alunos via de regra ouvem isso. Agora vão poder ler e reler.
Uma vez inteligentes se permitam aprender o novo. Aprender é um verbo de ação e não de estado. Aja e aprenderás, permaneças sem ação e nada ou quase nada vais conseguir aprender. Vergonha você manda para... deixa eu pensar... tic tac tic tac tic tac... faz de conta que se passaram algumas horas... Manda para onde você quiser. A vergonha é sua e nada mais justo você decidir para onde mandar.
Puxando para os alunos de idiomas. Isso é bem mais a cara deles. Eu sei como é. Você vai para uma turma e quando erra e sabe que na sala está cheio de gente que sabe mais que você aí a vergonha te invade. Para piorar são pessoas sem educação e começam a rir de você. Bem, aí puxo o problema para os teachers, se alguém falta com o respeito dentro da sala de aula o professor é o responsável. É uma questão que dá um livro pessoal. Educação não se encerra em um parágrafo, mas declaro solenemente que em meu histórico amplo e diversificado fui agredido por pessoas que se achavam os sabichões, os melhores e por isso fiquei doutor nessas situações. Queridos alunos, eu, em algumas das vezes tive motivos para nunca mais fazer perguntas em público, mas ao aprender a solicitar a um dos "sabichões" que explicasse o que eu acabara de perguntar, retornei ao mundo dos confiantes. Estou nos 100%, os "sabichões" estavam mais para energúmenos acéfalos. Dava para saborear o momento ao ver eles sem saber responder o que haviam acabado de ridicularizar. E depois do primeiro, as vezes pus para fora a lição de moral que na ponta da língua pedia para sair. Se tivesse observado um ou dez dando risadinhas, desafiava cada um a responder, imagina a pressão, se é tão ridiculamente fácil não é sabendo um pouco a respeito que dá para se livrar. Encerrando esta questão, nem se envergonhem e nem façam isso aos outros. Errar é ruim, mas falsos inteligentes são indizivelmente piores.
No caso de idiomas é o caminho do aprendizado na essência. Se você não se expõe, não fala, não escreve, não faz nada, como o professor vai saber o que precisa ser feito? Nem mesmo um aconselhamento vai poder ser dado além de: - você tem de se expor.

Quinto. Quer aprender? Use bons equipamentos, boas ferramentas e se isso não for possível, tente retirar o máximo do que estiver disponível. Meus alunos e as pessoas que me pedem conselhos sobre como aprender, qual o melhor curso de idiomas e afins, via de regra, me escutam fazer uma comparação entre estudantes e atletas. Um atleta com um grande potencial chega a conseguir bons resultados. Este mesmo atleta com os melhores treinadores, a melhor alimentação, com cuidados na preparação psicológica e tudo de melhor relacionada à sua modalidade esportiva vai virar uma lenda. Faça o mesmo em relação ao aprendizado. Procure o melhor livro, o melhor dicionário, o melhor professor, o melhor ambiente de estudo, a melhor gramática, a melhor cadeira, mesa e até mesmo o melhor lápis. Se não der para ter o melhor use o que tens ao máximo, esgote os recursos disponíveis. É mais ou menos assim: é melhor ter um dicionário com 8 mil verbetes e aprender 100% do que ele te oferece do que ter um que possui 500 mil verbetes e você só fez carregar este imenso e pomposo dicionário da livraria até a sua estante. Livro bom que você não usa e só faz juntar poeira em comparação com um livro ruim que você usa sempre, precisam trocar de adjetivos.
Outro ponto muito destacado por mim é a colocação do professor como apenas mais uma ferramenta. Digo sempre: - Eu sou tão ferramenta quanto um lápis! Sabendo me utilizar, tirando o máximo de mim vai fazer toda a diferença. Em conseqüência disto e sendo coerente com esta afirmação, mesmo tendo, ao longo dos anos, alunos que passaram em concursos e que conseguiram resultados muito almejados, o mérito é quase que todo deles. O lado que pode incomodar é que a responsabilidade do fracasso também recai sobre o aluno. Para citar exceções a este ponto coloco as crianças como diferentes.
As crianças precisam de um trabalho diferente e o mais importante ao falar delas é que os pais são fundamentais nesta equação. O professor tem de sair do papel de apenas ferramenta e ser muito mais. Meu início foi com crianças e com elas trabalhei por mais de uma década. Comecei um adolescente de 17 anos e parei um adulto cansado. Cansado de ser confundido com alguém que deveria assumir a educação de cada um dos meus alunos.

No lugar de contar uma dezena de histórias, vou tentar ser breve com uma. Fui chamado para dar aulas de matemática para um adolescente e logo-logo estava também trabalhando com o irmão mais novo dele. Eram filhos de pais separados. As aulas eram no apartamento da mãe e o nível sócio-econômico era bom. Eu sou e sempre fui muito disciplinador e exigente. Os meninos eram uns danados, mas quanto mais eu os colocava na linha, mais eles gostavam de mim. O que teve demais nessa história? Um dia o mais velho disse para mim que ele e o irmão gostavam mais de mim que dos pais deles. Eu ainda era novo e já sabia que não era verdade, que era preciso interpretar o pedido de socorro daquelas crianças. Dar limites para uma criança pode ser uma grande forma de amor. Agora deixo que vocês conversem mais aprofundadamente sobre isso com um psicólogo.
Muitos anos além daquele dia continuei a trabalhar com crianças, mas confesso a vocês que a história que acabei de contar foi difícil para mim, porém não foi a única.
Resumindo e recapitulando este tópico. A não ser que você seja criança, use sempre o melhor equipamento disponível e utilize-os ao máximo. Não caia no lugar comum de atribuir a culpa sempre a outras pessoas. Assuma sua parcela de responsabilidade no fracasso e aproveite para regozijar-se muito com o outro lado disto. Se conseguires aprender algo é você quem merece os parabéns.

Para terminar vou colocar uma questão que pode ser polêmica para alguns. Para outros um tabu e ainda pode ser uma verdade inconteste.

Criança aprende mais rápido que adulto.

Para mim é uma afirmação que tem muito eco. Ouço feito mantra. Escuto como se verdade inconteste fosse. No final das contas eu peguei esta afirmação, coloquei com um ponto de interrogação. Fiz uma enorme reflexão. Agora vos digo que não concordo não.
Quando sou eu que estou caladinho, só escutando como as crianças aprendem rápido e os quase milagres dos pequenos sei que envolve um certo orgulho dos pais, tios, avós e etc. Mas ao observar atentamente, ninguém que eu tenha escutado disse algo novo. Não tive a oportunidade de ouvir alguém com uma reflexão, mas sim com muita admiração.
Agora vejamos uma novidade a mais vinda deste que vos escreve, além da já mencionada discordância.
Alguma vez, ao comparar a velocidade do aprendizado de uma criança, já pararam para pensar quantas vezes, ou melhor, qual seria o placar se fizéssemos 10 pares, cada par sendo formado por uma criança e um adulto e marcando um ponto para quem vencesse? E quando fizerem esse exercício mesmo que mentalmente, já tomaram o cuidado de fazer isso a respeito de algo que fosse do zero?
Leitores, o exemplo que mais ouço é o do idioma, seguido de perto pela utilização das novas tecnologias. Quando os pais vão para outro país e os filhos aprendem rápido o idioma. Uma prima mega, hiper inteligente que tenho, certa vez me falou que está comprovado cientificamente que as crianças escutam melhor que os adultos, pois os adultos já possuem certa perda pelo passar dos anos. Aceito e concordo. Ela só não mencionou nada sobre se ao fazer a competição dos 10 pares essa melhor audição das crianças seria suficiente para superar a disciplina dos adultos, a quantidade de informações já armazenadas, a experiência, o conhecimento sobre si mesmo em relação a como rendem mais nos estudos e o quanto os adultos já sabem passar por obstáculos.  

Detesto injustiças e sobre coisas diferentes julgamentos diferentes. Sobre as novas tecnologias que escreva alguém mais jovem se as crianças ganham deles. Mas precisa que seja jovem o suficiente para saber o que é nascer numa época em que já existia tudo que as crianças têm hoje.
Mantendo a questão da injustiça. Por que dizer que as crianças aprendem mais rápido em comparação aos adultos se não é dada ao adulto a chance de não ter que se preocupar com contas, com o cuidado das relações com amigos e familiares, com os desgastes do trabalho, com a energia gasta em um relacionamento amoroso e muito mais.
Sendo justo com as crianças devemos admirá-las. Sim, são fascinantes e é ótimo observá-las em seu aprendizado em massa. São folhas de papel em branco prontas para aprender tudo em um processo que nunca termina. Não esqueça que você já foi uma e nem por isso parou de aprender.
Para terminar, dê igualdade de condições em tudo que for possível e se quiser continue apostando nas crianças, mas eu aposto nos adultos.

Alguém faça uma pesquisa séria sobre isto, por favor. Enquanto não fazem, reflitam sobre esta igualdade de condições.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Conversa vai, conversa vem e... tudo por tela e teclado.

 Não. Do lado que eu sou muitos dizem que são, mas as atitudes são incompatíveis. Partido é uma coisa, ser humano é outra. O partido é plural, um político é singular. O partido nada faz, nada mais é do que algo definível, explicável, controlável, maleável, mutável e etc. Os partidos não são a única forma de mudar nada, pessoas mudam, agem e se acreditas tanto que partido e pessoas se confundem eu lamento. Escrevi atitudes que pessoas mereciam ter como reconhecidas, igualmente sei eu, sabes tu e toda uma nação das muitas nojeiras. Se tens lista de coisas boas és competente o suficiente para saber a lista imensa de desgraças. Não compactuo com a ideia do: rouba, mas faz. Não vou perder meus valores por partido nenhum. Roubou e demais cafajestagens vai pra lista de cretinos, calhordas, facínoras, nazi-fascistas e toda sorte de palavra ruim que me ajude a desabafar. Primo, escrevi no outro post e aqui repito. Não estou ligado. Isso é muito sério. Imagine você, eu lhe chamando de algo que não gostes. Imaginou? Você teve o direito de se auto declarar do PT. Se disse apaixonado, menos que antes, mas ainda apaixonado. Imagine que é fácil para mim concluir que se eu disser: - ei de direita! ei PSDBista e seja qual for a denominação que não aprecies, você vai se chatear. Igualmente tenho o direito de repetir, SOU LIVRE, talvez eu esteja falando de algo que não compreendas, mas ao dizeres que não sou... já perece que não fazes ideia. Primo, vá além, pense além! Em quem votei? Quando votei? Veja primo o quão concreto é isso. São suas palavras de minutos atrás. A pergunta mais importante é por que votou? Veja que assim que pôde você explicou a razão de votar no PT. É sua ideologia, sua paixão e sua herança familiar. Correto? Eu vou te dar uma resposta. Resposta que vai além do que perguntastes. Votei a primeira vez perto dos 16 anos. Estava ali colado a redução da idade para votar. Desde então já há uma diferença abissal entre nós. Votei em quem eu quis e não em quem meus pais disseram. Outra diferença, meus votos sempre que possível foram por acreditar no indivíduo e não nos partidos (mais uma vez desde muito cedo e diferentemente de qualquer pessoa que eu conhecesse), meus votos seguem uma ideologia minha e isso é libertador e pode até apavorar os poderosos, essa ideologia minha encontrou eco e eu fiquei feliz ao saber que pessoas já pensavam assim, essa ideologia é a da alternância de poder(se é a certa ou a melhor? é a minha, respeito a dos outros). Também muito cedo saí do escudo da indiferença. Novinho já me doía ver pedintes, ver miséria em todos os lugares, sujeira, professores mau pagos, violência demais( você realmente leu a postagem com as 107 MIL mortes? nem falou nada a respeito). Se votei nulo não temos pra quê continuar a discussão? Tudo bem. Não vou dizer se votei ou não. O voto é uma parte e não o todo. E o motivo da postagem foi qual? Primo Paulo Braz!! Não entendi o motivo da postagem. Tu que em uma das mensagens colocastes que sequer a postagem estava com informações corretas. Podes me ajudar? Mateus Braz, já na união das duas postagens, seja aqui ou na da energia elétrica, informação e fonte foram mencionadas. Aqui a informação foi contestada por Paulo inclusive do jeito que gostas, com link e tudo. O que houve? Foi ignorada solenemente a informação? Como falei no outro post, para que tanto esforço em mostrar as fontes se o outro não quer ver? Aqui, em resumo, começou com uma mentira. Na outra pelo menos foi uma queixa legítima, uma queixa pessoal. Queixa de Cristiana Braz, queixa minha, queixa de quem quiser se queixar sem precisar mentir. Sem mais.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Respondi, mas nem sei se a pergunta era para mim.


Assim começou: "nao sei se consola, mas por aqui nao ta melhor"

A mim não consola, mas se consolar outra pessoa já vale alguma coisa.
Não conheço todos os detalhes da crise na Europa e nem os detalhes de cada país. Mas dinheiro não é o fator determinante para meu julgamento. Vamos ver pessoas sofrendo na Europa e já acompanhamos isso há um tempo por um fator($$$ falta de dinheiro e decisões cretinas dos governantes), mas dá para focar em algo. No Brasil é difícil escolher a sequência de desgraças.
  • Francisco Braz Em países anos-luz à frente do Brasil o desempregado anda a procura de emprego e pelo menos calçada tem. Se desloca pela cidade e pelo menos transporte bom tem. Vai chorar e reclamar da crise, mas vai fazer isso em um lugar com índices de violência irrisórios e vai saber de alguma notícia econômica que sinalize fim da crise em seu ipad sem que um ladrão lhe aponte um 38 ou quem sabe faça o favor de cessar suas angustias ao manda-lo para outro plano, seja o de cima ou o de baixo. Aí fica com sua crença.



    Essa parte não está la nas respostas: Ah! Lembrei do caso do incêndio na boate em Santa Maria-RS, na Europa tá igual mesmo? Realmente está pior? Vamos perguntar aos familiares das vítimas as respectivas opiniões.
    E vamos interpretar a quantidade de boates e estabelecimentos sendo interditados por causa desta tragédia.
    Cultura tupiniquim, 
    o carro está na frente dos bois, 
    a casa construída se começando pelo teto,
    a porta sendo fechada depois que se é assaltado,
    o certo é feito depois que já é tarde.
    Neste caso não dá para falar o nunca é tarde, vidas não voltam. De novo, vida não tem preço. 

    Como é que queremos um país que busca resultados monetários e em todas as esferas, todos os lugares, classes sociais, profissões, em tudo o valor da vida está desvalorizado? Como?

    Eu quero um país rico, mas o dinheiro tem de ser o carro e a vida os bois.
    Eu quero um país rico, mas o dinheiro tem de ser o teto e a vida o alicerce.
    Eu quero um país rico, mas a ordem dos fatores faz uma diferença inefável.



quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

As calçadas das cidades do meu Brasil.















Imagina na Copa!



Nas calçadas o que se faz
é rallye para pedestres
têm buracos ali na frente
têm buracos também atrás
nas cidades do Brasil
é fácil cair num funil.

Nas calçadas o que se vê
é uma grande variedade
tem as poucas inteiras
e uma parte que nem são metade
as de terra e as de cimento
tem as de grande movimento
dá para encontrar até jumento
e isso não é novidade
nas cidades do Brasil
tem calçada que ninguém nunca viu.

As calçadas ainda
são prova de democracia
cada um faz de um jeito
sempre podem ser diferentes
quer seja na casa do prefeito
ou na delegacia
nas cidades do Brasil
piada é falar meio-fio.



















As calçadas nem ao menos
têm serventia definida
uns pensam que é banheiro
outros que é estacionamento
algumas de fato são atoleiros
com lama em sua constituição
e em toda a nação
as calçadas precisam ser bem varridas
pois na cidades do Brasil
vacilou nas calçadas caiu.

Veja! Preste bem atenção! Com a prosa sem rima.
A métrica nem existe lá em cima
e isso é de tanto pensar nas calçadas
pois existem as ladrilhadas
azulejadas
por raízes e árvores tomadas
inclinadas e detonadas
com uns tais ferros chumbados
outras com mesas, lixo, bancas de revista,
e é preciso ser muito artista
para não acabar massacrado.

Será que há mais a dizer?
É só uma fruta bater
em cima da sua cabeça
ou de um bem seu muito precioso
Que escape se for um idoso!
Uma criança ou outro inocente!
e só mesmo um demente
para não sair do repouso.

As calçadas também
tem uma variedade bostal
tem bosta de vaca e cavalo
de pombo é até normal
mas é fácil encontrar de gente
tamanha a imundície
a bosta de ser humano
conta como a de mais um animal
tem a do melhor amigo
do gato e do bode
e só o que não pode
é me obrigar a achar legal.

Eu já vi calçadas largas
e outras bem estreitinhas
outras a bem da verdade nem mesmo existiam
se você tá me entendendo
leia junto as entrelinhas
do jeito que as calçadas são
quem pudesse não as usariam.

De tantas possibilidades
só falando das calçadas escreveria um livro
caminharia pelas cidades
e registraria as mais bizarras
assim documentava
o que aqui só foi dito
nas calçadas do Brasil
a vontade é dizer
vai melhorar em Abril.


















quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Seu Doutor os nordestinos têm muita ilusão.

Por que o Brasil não deixa de ser o país da impunidade e pega todo o dinheiro dos superfaturamentos, mensalões, desvios e obras inacabadas e salva nossas vaquinhas e nossas vidas?

Tenho repetido tanto: somos tão gado.

Pode ser uma das mais tristes descobertas ou das mais tristes convicções. Mais uma vez e sempre que eu me lembrar: não precisas concordar e eu me obrigo a respeitar. Uma vez dito isto, sigo ao dizer que tenho tido cada vez mais certeza de como as aulas de geografia estavam incompletas ao mostrar as pirâmides sociais. Incompletas, contudo capazes de aumentar muito o conhecimento de quem as compreendeu. Talvez a razão de não ter sido abordado muitos aspectos das pirâmides seja a idade em que ela chega, chegava até nós. Eu era uma criança quando as conheci e no máximo as estudei na adolescência.

A reflexão me jogou contra um muro de concreto e ficou em mim como ferro em brasa. A conclusão foram as consequências. Estou em pedaços e o que resta tem uma marca que não sai. Base larga e uma ponta fina no topo. Descoberta triste? Quem está em cima cuida dos que estão embaixo como fazendeiros de seus rebanhos. Dão carinho, amor, comida, cuidam da vacinação, da reprodução, da alimentação, das agitações, etc. Quem conhece fazenda deve estar já se contorcendo, mas se você continuar e assistir alguns documentários, estudar, ler mais a respeito, pesquisar e o mais importante: refletir e aprofundar a reflexão, pode ser que vá sentir o ferro em brasa ou ver que a marca estava lá e você nem sabia.

Por onde começar? Se eu puder sugerir, comece pela revolução industrial na Inglaterra. Era necessário cuidar do povo para ter a mão de obra. Vida de gado. Gente=gado. Deveria estar lá no dicionário.

Gostas da palavra povo? Quem é o povo? Você é? Eu? Eu sou. "Eu sou do povo, eu sou o Zé ninguém".

Para seguir a dolorida reflexão que tal algo mais próximo? Os escravos no Brasil. Caramba, este exemplo é forte demais! Alguns eram marcados literalmente. Comprados e vendidos. Êêêêêêê ôôôô! Vida de gado. Gente=gado. Deveria estar lá no dicionário.

Quer achar que só em casos muito específicos e com muito trabalho dá para sustentar esta ideia? Sorte sua. Desta vez não vou me alongar e fazer um texto gigantesco. Mas olha como vou terminar!
Conversa com um boi, uma vaca, um porco, uma ovelha ou seja lá que animal de fazenda você escolher. Ele vai te responder? Melhor ainda, ele sabe que é gado?
Em outras palavras: quem é gado provavelmente não sabe que é gado. E mesmo o "gado gente" continuo chamando de gado quando escapa de apenas uma das duas formas de ser gado.
Ou se é gado mentalmente,  os que sequer sabem que são, ou se gado por ser tratado como um.
Eu sou gado queridos leitores, pois sei há tempo que assim sou tratado pelos da pontinha da pirâmide, mas minha boa notícia é ter a consciência disso e ser 50% menos gado.

P.S.: adoro gado, fazenda e animais, contudo usei a palavra gado de forma assumidamente negativa. Que todos os animais me desculpem.
 




   

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Interpreta alguns números para mim.

Você tem quantos amigos nas redes sociais? Milhares?
Você tem quantos seguidores no twitter? Milhões?
Sabe quantos cutir apertou hoje? Quantos compartilhar? Zilhões?

E nesta falta de tempo para tudo, quanto tempo sobrou para fazer a seguinte análise:
Quantos abraços destes?
Quantos recebestes?
Quantas vezes perguntastes se alguém estava bem e foi puramente automático ao invés de ser por realmente querer ouvir?
Quantas vezes olhastes alguém nos olhos e quantas olharam em teus olhos?
Quantos beijos? No rosto foram quantos? Na boca, algum? E foi sentindo cada beijo ou tão mecanicamente quanto se já tivéssemos máquinas fazendo isto e pudéssemos ter longos debates acalorados sobre isto?

Notícia de última hora: "-acabam de inventar o robô do beijo. No modelo básico conseguimos um exemplar que dá até 30 bejinhos no rosto. Para os magnatas, um mimo, modelos de luxo estão em fase de testes e dão beijos calientes."

Eu conversava com meus amigos mais próximos e eles me questionavam tanto e tão efusivamente como suportaria ficar longe dos amigos ao ir morar no Canadá.
Eu tristemente respondia:
-Da mesma forma que suporto aqui.
Lembrava para eles que a conversa estava ocorrendo via internet e que quando é assim não há diferença entre estar a milhares de kilômetros de distância ou na mesma rua. A tela é a maneira que estamos demonstrando quase tudo. Vem beijos em formato bjs, abraços tipo abs, risadas contagiantes quanto um kkkkkkkkkkkkkkkk pode ser e por aí vai.
 Dizia para meus amigos o quanto lutei contra isto e que me sentia cansado desta luta especificamente. Assumi a derrota. Eles assumiam que era verdade.
Seja pela violência, pelo cansaço do dia a dia ou por comodismo, há uma coletânea de razões sagrando-se campeãs no trabalho de fazer as pessoas trocarem pele por tela.

Você e seus amigos estão fora dessa? Interpreta esses números pra mim.









terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Quer um texto a cada hora?

A preocupação é justa. O dia tem 24 horas. Quantas horas em média as pessoas estão ficando conectadas? E ao ficarem conectadas quantas informações conseguem receber?
Está restando quanto tempo para a reflexão?

A preocupação é justa. Que tal ter como princípio a qualidade em detrimento da quantidade? Um jornalista pode facilmente ser esmagado e principalmente cobrado para gerar um volume grande de informações. Enquanto leitores e livres das pressões típicas dos jornalistas aproveitem, deliciem-se com a maturação da informação.

Que tal transformar a informação em algo similar aos vinhos, whiskies e demais coisas, que envelhecidas vão ficando melhores com o passar do tempo?

Não que a notícia de desastres, assassinatos e demais tragédias vão ficar melhores no sentido que o ruim vai ficar bom, o triste virar alegre, o possível de melhorar é a compreensão e aprofundamento das informações.

A preocupação é justa. E quantas vezes a notícia mais recente que você está lendo, assistindo ou ouvindo é mais do mesmo, um deja vù e uma sensação de notícia velha? E as notícias que virão daqui há alguns minutos, daqui há algumas horas ou só na manhã seguinte você seria capaz de adivinhar?
Extra!
Extra!
Trânsito lento na rua X.
Mulher assassinada pelo marido.
Escândalo no Congresso Nacional.

Veja nesta edição do Telejornal Y!
Obras são investigadas por suspeita de superfaturamento.
Bala perdida atinge morador enquanto descansava no sofá da sala.
Seca atinge milhões de pessoas e afeta a produção de alimentos.

A preocupação é justa. A quem interessa fazer com que ao receber uma informação, recebamos outra e outra e outra e outra e outra e outra e mais 1000 000 de outras e qual foi a primeira mesmo? Sobre o que é este texto? Lembra a confusão? Se sentiu confuso? Lembra como este texto começou? O que foi que você leu antes de estar lendo este texto?

A preocupação é justa. Melhor ler aquilo que te faz pensar. O bom é ler algo que te dê vontade de ler uma segunda, terceira, quarta e muitas outras vezes. Seria algo positivo ler algo que te relembra o quanto és inteligente? Seria bom ler um texto que te respeita exatamente por te provocar? Te agrada receber a avalanche de informações diárias como se pensamentos não pudessem ter origem em você e sim serem "engolidas" por alguém, depois que este alguém precisou antes "mastigar" essa informação e no momento de te entregar será uma "regurgitação"?
Pareceu algo nojento? Puxa na memória a cena de um pássaro regurgitando na boca dos filhotes. Sintam-se muito à vontade para achar nojento ter ao seu redor tanta informação obedecendo a esse processo. Não existe como princípio a notícia como um produto artesanal.

O que existe é: te dou de montão e aí te impossibilito de ter tempo para a reflexão.



sábado, 19 de janeiro de 2013

A árvore de sorrisos.


O seu sorriso é uma semente. Há alguns anos brotou e fez a primeira colheita, os sorrisos dos seus pais. Mais alguns anos se passaram e a semente se transformou em árvore frondosa. Nessa árvore se colhe vários sorrisos, os seus sorrisos. Para cada sorriso que você oferece ao mundo, muitos outros retornaram pra você. Você que tem o sorriso generoso, intenso, doce e capaz de transbordar a própria alegria para todos os lados. Ver você feliz não é um desejo egoísta e solitário. Faz bem para o mundo que você esteja sorrindo.
Por: Francisco Braz Neto (07/2007)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Inocente ou culpado.


Se é inocente então o próprio Maluf deve lutar e provar sua inocência.
Não precisa que ele pense igual a mim e muito menos as pessoas de um modo geral, mas... Não vejo Maluf triste, abatido e/ou indignado. Nem vejo essas palavras associadas ao mesmo.
Se é culpado então não esperem para puni-lo quando for morador eterno de algum cemitério.
A sensação de impunidade é mais sólida que o mais sólido concreto ao perceber que, seja como for, a demora atrapalha a selar casos iguais a este.
Se já estão punindo Maluf e a punição é fazer com que ele devolva dinheiro vou passar uns 5 meses chorando. Haja remédio para depressão e ajuda de psicólogos.
Seres humanos são iguais? Por que ele devolve dinheiro e um pobre que rouba um relógio vai para cadeia?
Se acho que o tadinho que roubou um relógio deve ficar impune? Que nada, merece punição.
E o que acha que deve ocorrer com quem rouba milhões? Uma punição similar ao de quem roubou pouquinho e milhões de vezes pior.

E eu que respeito tanto as opiniões. Vou ficar longe de você ou me alterar se tentar sequer argumentar, justificar essa situação tão medieval, tão Faraó, tão Imperador, tão dois pesos e duas medidas, tão nazista, tão Aparthaid, tão a realidade é a feita pelo dinheiro e pelo poder, tão denunciante de como apesar do pomposo século XXI a lei do mais forte está superando milhões de linhas nos livros de direito e por fim sendo mais uma prova de que as palavras lei e justiça caminham em direções opostas.



http://noticias.br.msn.com/maluf-ter%C3%A1-que-devolver-usdollar-283-milh%C3%B5es-%C3%A0-prefeitura-de-s%C3%A3o-paulo-ag%C3%AAncia-brasil

Tohir, Bangladesh, biografia, gratidão e homenagem.

Entre outubro de 2003 e junho de 2004 eu passei por muitas coisas. Biografia não é meu forte, pior ainda autobiografia. Conseguir leitores para um BLOG não é fácil e ainda por cima escrevendo sobre mim. Por outro lado eu já me senti fora do ninho tantas vezes, deslocado, incompreendido e mesmo assim pronto para quebrar paradigmas que este texto vai só ser mais uma vez que isso ocorre.

Era uma vez...

Então vejamos algumas partes. Umas três ou quatro. Vou tentar colocar na ordem cronológica, mas já faz tempo.
A primeira delas. Estava eu trabalhando no BpSafeway e de alguma forma estávamos conversando. Eu e Tohir (se pronuncia Tir) tivemos oportunidade de conversar algumas vezes mesmo nos encontrando apenas no trabalho. Eu coloquei na cabeça que sou chato, mas sempre tem quem goste de mim ou pelo menos de conversar comigo, aí quando eu estava nos meus intervalos aparecia um ou outro puxando assunto. Outras vezes eu estava num caixa isolado do lado oposto aos três principais e que igualmente aos do outro lado tinham cigarros para vender atrás do balcão. Esses cigarros tinham que ser contados diariamente e enquanto contavam também puxavam assunto. Eu não sei o conteúdo da conversa, não lembro, posso me esforçar e imaginar que estávamos ainda nos conhecendo, nos familiarizando um com o outro.
E como pretendo contar o que houve se não lembro? Fácil, resumindo no que realmente importa da conversa.
Bem, estávamos possivelmente ainda nos conhecendo e eu devo ter dito entre outras coisas:
-Eu sou brasileiro.
Ao que ele deve ter dito:
- Eu sou de Bangladesh.
A conversa deveria ter parado aí, mas ele falou sobre... carambolas, caramba, poxa vida...
Ele mencionou Dakar. Pelo menos eu entendi assim. Eu sabia onde era Bangladesh, mas por qual razão ele falaria de um lugar na África? Olha eu denunciando uma ignorância minha. E eu sou todo orgulhoso sobre meus conhecimentos geográficos.
Me denunciei mais ainda ao falar na conversa sobre o Rallye Paris-Dakar.
Tohir logo me corrigiu.
-Não é Dakar no Senegal e sim Dacka, capital de Bangladesh.
I'm sorry Tohir. I remember you immediately forgave me.
Eu pedi desculpas imediatamente e ele me perdoou.
Coloquei essa história como a primeira pois quero acreditar que logo aprendi a lição.
Você sabe onde fica Bangladesh? Dacka?
http://www.bangladesh.gov.bd/

https://maps.google.com/?ie=UTF8&hq=&hnear=Bangladesh&t=h&source=embed&ll=23.684774,90.351563&spn=5.913713,4.702148&z=6

A segunda delas.
Denuncio outra ignorância minha.
Era muito comum me perguntarem sobre as mulheres brasileiras. Pense no sucesso! E era um tal de:
-Francisco, tell me. Are the brazilian girls hot?
Eu ficava furioso. Só compreendia e sentia um lado pejorativo.
Ficava assim na minha interpretação:
-Francisco, me fala uma coisa. As mulheres brasileiras são quentes?
Mas a forma de falar e o tanto que eu imaginava a conotação sexual do comentário me faziam responder quase sempre de forma brava e irônica. Dizia eu:
-Não! Não são nem quentes nem frias. São da temperatura normal.
E dentre quem levou esta resposta desaforada está meu amigo Tohir. E olha que ele era um dos gerentes.
Hoje dou risada. Antes demorei a aprender outro sentido possível para tal pergunta.
As mulheres brasileiras são sexy? Sim Tohir, elas são. Acho que te disse isso em tempo.

A terceira delas.
A menos bonita.
Talvez a mais engraçada para quem esteja lendo.
Ao chegar em Hove, Reino Unido, aprendi muitas coisas, mas não acontecia tudo em um dia.
Eu já estava totalmente ambientado, conhecia um monte de gente. Os Martin já eram minha segunda família e os meus colegas de trabalho já estavam bem separados entre amigos e colegas.
Aí quando imaginei que surpresas estavam se tornando impossíveis eis que de repente...
Quem aparece?
Tohir.
E está com a prancheta para contar os cigarros.
Já era rotina, nada demais isso. Foi só treinamento para escrever um suspense.
Esta passagem está mais para comédia.
Tohir puxou assunto como de costume. Só que houve sim uma novidade.
Ele quis me contar algo. Parecia um segredo. Uma fofoca, boato, sei lá. Só sei que ele contou.
Foi mais ou menos assim:
Tohir - Francisco, sabia que tem alguém jogando papel com cocô no balde de lixo? Hoje mesmo fizeram isso.
Eu -Verdade?!
Tohir - Sim, estamos(provavelmente todo o gerenciamento, que medo!!!!) tentando descobrir quem é que está fazendo isso.
Eu - Eu.

Tohir fica com ar de surpresa. Fica confuso e eu também fiquei confuso.

Eu - Não é para jogar no lixeiro?
Tohir - Não.
Eu- No Brasil é para jogar no lixeiro.
E aí com paciência me explica que no Reino Unido o papel é feito de uma maneira a se desmanchar ao ter contato com a água e por essa razão é no vaso que eu deveria estar jogando o papel.
Eu expliquei como era no Brasil e os problemas de entupimento causados por quem joga papel e tantas outras coisas na privada.  
Levei comigo o hábito de jogar o papel higiênico no balde de lixo. Vocês não fazem assim?
Agora sei como proceder lá e aqui.
Tohir continuou a conversa e emendou:
- Francisco, assumir o que fez foi impressionante. Foi uma atitude nobre.
Mais que infelizmente não lembro das palavras exatas, mas agradeço ao meu amigo por estar na minha lembrança a mensagem. Fiz merda literalmente, mas recebi uma aula e ainda junto colhi a admiração de uma pessoa de uma cultura tão diferente. Nós dois éramos estranhos vivendo na Inglaterra.

A quarta e última deste texto.
A mais bonita, mais emocionante e mais importante para mim. Combustível, bio combustível = combustível da minha vida. Em momentos de tristeza extrema lembro de momentos iguais a este e consigo seguir.

A despedida. A homenagem. A gratidão.
Falei no texto anterior que explicaria, contaria a estória de Tohir. Era desta que eu estava falando.

Morar em Hove foi um tempo de muita felicidade. Melhor ainda é que eu sabia disto enquanto estava lá. Eu sentia a felicidade. Mas decidi voltar e já sabia que voltaria. Por razões que não vêm ao caso resolvi antecipar meu retorno e comuniquei aos gerente do BpSafeway que eles procurassem um substituto para mim pois retornaria ao Brasil antes do previsto. Perguntei quantos dias eles precisavam para arrumar um substituto e acho que concordamos que 30 dias seria adequado.

O último dia. A última conversa. Segurar lágrimas é fácil para mim. Mas não vale pegar pesado.

No meu último dia cada um quis se despedir. Os últimos dias já estavam sendo melancólicos e todos diziam que era uma pena eu ter de ir. Parecia que ao longo dos dias, essa notícia até mesmo impactante, iria se diluindo e no último momento um goodbye resolveria. Pensei que eu e todos estaríamos calejados e a ideia da minha saída já tivesse saturado a paciência de todos.
Bem, não foi nada cinematográfico. Não parecia programa de televisão, nem tinha cartazes, nem multidão, nadinha. Tinha Nadege Jus, Simon Ebers(chefão máximo desta unidade), Michael, Baba Camara, Greg Chiwara, Niall Rafferty, etc. Alguns se limitaram a dizer que lamentavam, um abraço, um tapinha nas costas e tudo resolvido. Mas alguns dos gerentes começaram a fazer diferente, queriam falar em nome não de todos os funcionários, mas queriam falar em nome de todos os gerentes. Me chamavam em particular e faziam um micro discurso.
- Francisco, nós da gerência lamentamos profundamente sua saída. Você foi um funcionário exemplar e é uma grande perda pra nós.
Algo do tipo.
Até que tinha Tohir no meio do caminho, no meio do caminho tinha Tohir. Baixinho, magrinho, com um bigodinho e gerente, abaixo apenas de Simon Ebers.
Me chamou, disse que queria falar comigo. E lá fui eu, muito obediente que sou.
Aí começou dizendo que lamentava e blá, blá, blá.
Pensei que seria tudo igual. Mas pensei isso por pouco tempo.
Ele logo falou que eu não poderia ir embora sem que ele contasse algo que se passou durante os meses que estivemos ali.
Quando eu entrei no BpSafeway foi por intermédio do meu hostfather Peter Martin. Meu cargo? Staff assistant. Do início ao fim. O que não foi do início ao fim foram as atribuições. Eu comecei preenchendo prateleiras, organizando os produtos nelas contidos e caíram na besteira de me botar no caixa.
Besteira deles, sorte minha. Levei uns 15 minutos para aprender a operar o caixa e essa chance foi dada em pouco mais de uma semana. Pronto! Comecei a dividir meu tempo entre o caixa e o facing up e mais um tempo depois era quase que 100% do tempo no caixa. Trabalho fácil, pelo menos para mim. Meu caixa estava sempre correto, fosse qual fosse o gerente que checasse.
Então Tohir agora queria por que queria me contar um acontecido.
- Francisco, um dia você estava fazendo algumas tarefas nos corredores e de repente a loja se encheu de clientes. Chamamos(Michael e Tohir) você para o caixa três e logo após o movimento normalizar mandamos você de volta aos seus afazeres. Horas depois aconteceu novamente, muitos clientes se aglomerando e Michael disse: Tohir, precisamos por alguém no caixa três, mas eu ainda não conferi o caixa.
E então ele disse que falou para Michael: - Michael, pode chamar qualquer pessoa e botar no caixa sem conferir pois quem estava aí era Francisco e eu confio mais nele que em mim mesmo.

Ouvi muitas coisas e ainda estou vivo, posso escutar muitas mais. Não foram, não são, não serão todas iguais a esta. Obrigado Tohir. Perdi contato contigo. Nunca mais tive notícias suas, mas este texto vai em sua homenagem. Se sabes que tenho qualidades, junte a gratidão a elas.

Desculpem leitores por ser um texto tão egocêntrico, egoísta e irrelevante para meus fiéis e queridos leitores. O único motivo de postar este texto no BLOG ao invés de esperar e encontrar outra solução foi temer a falta de memória ou qualquer outra coisa que impedisse que eu registrasse essa passagem tão importante da minha vida.  



 











sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Alguns pitacos sobre honestidade.

Em primeiro lugar eu me declaro Honesto. Nem pouco, nem muito, nem mais ou menos. Honesto quer dizer tudo e só outro Honesto compreende o quão completa essa palavra é.

Um baita de um safado, pilantra que desviou dinheiro, só uma vezinha tadinho, só uns milhares ou milhões pobrezinho não sabe o que é isto. Desta vez nem vou deixar para mais tarde ou para outro texto o meu achismo no qual declaro ser possível se redimir de uma desonestidade. Tampouco considerem sequer por uma fração de segundo que está aqui posto desvio de dinheiro como sendo a única desonestidade existente ou digna de ser mencionada.

Redimir-se. Uma pessoa honesta não é infalível, mas se sente mal ao ponto de não suportar o erro cometido e reconhecer o quanto antes a falta, pagar logo por isso. Sente que há um peso e de tão diferente de uma postura desonesta sai da situação de uma forma que chego a categorizar de bonita. Aliás, assumir erros, pedir desculpas, assumir as conseqüências, pagar pelo mal feito e envergonhar-se das faltas vai trazer para mim a lembrança de outros adjetivos. Direi: - Errou, e logo provou ser nobre. - Errou, contudo tem honra.
- Errou, foi o primeiro a punir-se e deve erguer a cabeça. - Errou, conhece a fragilidade humana, mas foi forte para assumir.
Não se redimir. Roubou, aplicou golpes, sonegou, fraudou e afins. Tá velhinho, já viajou o mundo todo, comeu nos melhores restaurantes do mundo, possuiu os melhores carros e por causa dessa tão singela vezinha que conseguiu seu império, sua vida de marajá (lembrou de alguém) e a herança da família. Não sou pretensioso ao ponto de estipular o prazo para se arrepender.
Agora vem o ditador Francisco e faz um pronunciamento: - A partir de agora quem não se auto denunciar em até 30 dias irá pagar nesta vida e na próxima. Isso não existe.
Daí a ter passado 10, 20, 30, 40 anos curtindo e dizer que se arrepende.
Vai ter redenção de um santo ou talvez de vocês que estão lendo e se compadecem disto. De mim, vai para o funil. Estou escrevendo e pensar nisso deu uma raiva arretada.

E ao seguir escrevendo pitacos sobre honestidade vou enumerar como pensa a cabeça de um honesto. Se um desonesto for sincero gostaria que fizesse um texto me explicando qual a construção lógica que ele faz.

Pitaco 1: Um honesto não vê problemas em ser fiscalizado. Aqui a discussão pode existir amplamente sobre o que pode ou não ser fiscalizado. O que é público e o que é privado. Mas, imagine um ponto de concordância. Imaginou? Como é que se explica qualquer dificuldade em fornecer dados? Deixar ser fiscalizado pode ser até uma solicitação de um honesto.

Pitaco 2: Um honesto não se importa se quem não o conhece desconfia dele. Um honesto deixa o tempo mostrar quem é cada um. Bem, aqui fica de fora todos vocês que nunca se decepcionaram com alguém ou se enganaram ou julgaram equivocadamente. Queria lembrar que os enganos podem ser nos dois sentidos. Achavam alguém honestíssimo e era um calhorda ou achavam alguém um vilão, mas era o mocinho. Faz lembrar o ditado popular sobre o lobo em pele de cordeiro.
Algo extremamente particular, uma característica deste que vos escreve, mas que por acaso acha que não é o único, é ir até um dos pecados capitais, ir ao ponto de ira, quando depois de me conhecer ainda prevalece a desconfiança. Atenção! Conhecer não é 100% conectado ao tempo. Em pouco tempo e muita vontade, conversa e atenção é possível conhecer alguém. Em muito tempo e pouca vontade, nenhuma atenção e raríssimas conversas é impossível. Como você aciona esse mecanismo e fica irado Francisco? Como isso chega a este ponto? Bom, se a pessoa me acha desonesto, mas guarda essa opinião para ela, tá tudo certo. Se por outro lado, ela verbaliza. Aí não tem choro nem vela. Acabou-se o mundo. Ferrou. Não digo sobre mim e não atribuo a mim atributos tais como: beleza, riqueza, popularidade, carisma, simpatia, etc. Há um orgulho em mim. Digam sobre mim: és burro Francisco, és chato, és feio, és pobre, és fraco, és infantil e muito mais. Quando terminares de acabar comigo ainda posso ser salvo quando reconheceres que sou Honesto. Fica para depois, outro texto, o meu último dia no BpSafeway e as palavras de Tohir. Podem me cobrar.

Pitaco 3: Um Honesto, caso alguém concorde, fica furioso com a cambada de desonestos se aclamando como os sabidos, espertos, os gênios do universo. Esses malandros, "ixxxxxperrrrrtos" chamam os Honestos de burros, babacas e afins. Muitas vezes é melhor desligar os sentidos, os Honestos estão procurando se defender fechando os olhos, tapando ouvidos, calando e prendendo a respiração.
Para descontrair um pouco. Os Honestos podem se vingar um pouco ao já ter associado desonestidade a sujeira. Se está errado, dizemos que tem algo fedendo.

Pitaco 4: Honestidade rima com sinceridade. Literalmente.
Mal-caratismo rima com cinismo. Totalmente
Ladrão rima com prisão. Amplamente.

Pitaco 5: Atores são admiráveis. Atuar é uma arte, uma profissão que encanta, comove e enriquece a vida de quem os aprecia. Por este motivo deveriam ser  ferozes, implacáveis contra os desonestos, na relação de pitacos coloco a petulância e a pretensão dos desonestos de serem atores. Quem lembra de casos famosos do tipo: choros cinematográficos, indignações em palanques, promessas estilo comédia romântica e assim por diante? Não vou fazer referência muito clara. Cada um escolha se quer lembrar de um caso municipal, estadual, nacional ou até mesmo internacional.
E casos não tão famosos. Aqueles... de algumas pessoas próximas a nós. Dando chiliques, se sentindo tão ofendidas, nossa, dá para ironizar e perguntar se quer concorrer ao Oscar.
Em alguns casos existe a classificação de cara-de-pau. Por saber que em algumas situações, ter cara-de-pau é sinônimo de falar, se expor, fazer uma simples solicitação que tá todo mundo com vergonhinha. Por mais que seja encarada pelo lado negativo, lembrei dessa possibilidade positiva e me freou um bocado ao usar o termo. Até lembrei do programa humorístico. Os Caras de Pau.
Esquecendo a possibilidade específica, chance pequena de ser algo bom. Os muitos exemplos podem ser dados de quando estamos fumegando de raiva de um grandicíssimo Cara de Pau.
Para exercitar a memória.
E será que alguém teria coragem de dizer que não conhece uma determinada pessoa mesmo tendo andado de jatinho particular com esta pessoa? E mesmo depois de aparecer uma foto dessa mesma pessoa com quem ela, numa "verdade paralela", nunca esteve?
Alguém teria a audácia de falar que mesmo tendo "tirado" 30 vezes na loteria foi pura sorte?
E quando mais que isso, aparece um vídeo, dois vídeos, três,(alô galera que sabe editar, dá para pintar miséria com edição de imagens, tanto em foto quanto em vídeo), mas mesmo assim a pessoa diz que é inocente, isso existe?

Pitaco 6: Um Honesto não acredita em denuncismo. Mas volto a re re re re re repetir. Ga ga ga gago, gago que  que que que que, me chama de burro, mas vai com calma antes de chamar todo mundo de burro.

Pitaco 7: O último da série. Um Honesto quando é acusado quer ir até o fim. Não tira por menos.

É só meu pitaco gente. Relaxem. Eu vou tomar um calmante. Um chá de camomila, quem sabe?

E você, qual seu pitaco?









Vergonha de falar e escrever? Só se for...

Que pena que eu escreva em português errado. Acho que o imperfeito não participa do passado. Troco as pessoas, os pronomes e toda sorte de erros vêm junto. Mas me envergonho dos erros e gostaria de não cometê-los. Eu tento... sempre...


Filósofo de sexta.


Quem quer te dominar vomita em você idéias prontas. Quem quer te tirar da ignorância te apresenta às perguntas. Se é bom ou ruim ser ignorante? Pura opinião. As vezes penso que sim, tem vezes que acho que não e até hoje tenho certeza que não sei.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Entre a Cruz e a Espada


Para muitos sou um crítico voraz. Pessimista convicto.
Não temos memória. Nem visitar os parentes que já se foram é parte da nossa cultura. Nossos cemitérios são lugares de tristeza absoluta e os evitamos. Afinal de contas, para que ir ver mortos em um lugar se podemos ver mortos em todos os lugares? Sendo repetitivo ao extremo como também são as mazelas do Brasil, temos os mortos literalmente falando e os mortos vivos. Até aproveito para perguntar: -A origem dos zumbis foi no Brasil? Não tem graça. O que mais se assemelha a ter graça neste tipo de abordagem é a ironia escancarada. E ela vem ao texto para desabafar e evitar que palavras chulas entrem.

A questão central aqui é a passividade. As questões que estão ao redor são muitas. Uma analogia feita entre uma estrela, os planetas e demais corpos na composição de um sistema solar e a sonolência de toda uma população e todas as consequências advindas desta. Aí entra o sentir-se esmagado, sufocado, oprimido, Entre a Cruz e a Espada.

A passividade, a letargia, a dormência são palavras que ganharam dimensões destruidoras. O primeiro teste proposto é começarmos conosco. Eu me incluo. Nada de dois pesos e duas ou até infinitas medidas. Quantas vezes fazemos críticas reflexivas? Você está no time dos que não se arrependem de nada, apenas do que não fez? No time dos que não tem vergonha? No time dos que colocam os erros em um altar, pois só com eles se aprende? Quantos outros chavões prontos você está utilizando? Dentre eles você inclui a crença na qual não se pode falar nada de negativo sobre seu país, seus familiares, seus amigos e aquilo que é seu?

Eu me arrependo de tantas coisas e principalmente das que fiz. Não fazer, para mim é probabilisticamente muito menos passível de arrependimentos. Vejamos como a retórica funciona para ambos os lados. Quem só se arrepende do que não fez por acaso pode me explicar se costuma incluir na seqüência do raciocínio frases do tipo:
"-Me arrependo de NÃO ter matado?
-Me arrependo de NÃO ter roubado, espancado, destruído e torturado?
-Me arrependo por NÃO ter estuprado, extorquido, iludido, decepcionado e mentido?"
Dá para explicar?

Me colocando na berlinda. Eu me envergonho. Me olho no espelho e todos os dias sei que posso e preciso melhorar o ser humano que está refletido. De bom? Sentir orgulho por não ser um SEM VERGONHA. São  34 anos de muita reflexão e o fato de ter escapado da morte por pelo menos 3 vezes aumenta e muito a dimensão de tudo. O que é bom não é bonzinho e o que é ruim não é ruinzinho. A vida é curta, mas daí a usar isto para ser irresponsável e descompromissado é outra estória. Se fazer algo para um mundo melhor não vale a pena por você, faça por seus filhos, amigos, sei lá, encontra alguém para justificar algo bom e menos motivos para não fazer nada.

E a questão principal é a passividade. Passividade capaz de vir como uma espada penetrante, insistente e escancaradamente presente nas palavras de cada um que eu conheço e fala e fala e fala e fala e fala e ...     "-Você viu o último escândalo? Que absurdo!
-Leu na internet sobre as chacinas? Que absurdo!
-Viu a quantidade de buracos nas ruas? Que absurdo!
-E as balas perdidas? Que absurdo!"
Quando absurdos acontecem o que se faz a respeito? Se espera a próxima eleição. Certo?
O próximo absurdo?

A Cruz vem gigante para ser carregada e acaba que a população de toda uma nação a carrega. Eu cheguei ao dia de hoje com uma quantidade tão grande da balela: "o brasileiro é um povo feliz apesar de ... tudo." Eu que tanto peço favores. Deixa eu pedir mais um? Olha a matéria do Diário de Pernambuco sobre o consumo de Rivotril. Caso seja assinante está aí o link que leva até a edição do dia 22 de janeiro de 2012: http://www.old.diariodepernambuco.com.br/2012/01/22/indice.asp
Se não quiser saber tanto sobre a matéria, ou não conseguiu ter acesso, o Rivotril é um antidepressivo que juntamente com outros antidepressivos, também conhecidos como tarja preta, estão entre os remédios mais comprados pela população brasileira.
O que isto quer dizer?
Eu sei bem.
Vai uma ironiazinha para aliviar, quem sabe para substituir o Rivotril de algum de nós hoje? Se o consumo recorde é de um antidepressivo é por termos atingido o máximo da felicidade sem remédios e agora vamos ver qual o limite com essas drogas. Será? Faz sentido?

Fazer sentido. Fazer sentido é uma necessidade minha. Você compartilha desta necessidade? Para viver sei que precisamos, comer, beber, respirar, dormir ou então fatalmente morremos. Individualizando as necessidades, eu preciso da lógica, da coerência. E a coerência entra agora para retomar a questão de falar mal do próprio país, dos amigos, dos familiares, da sua rua, da sua casa e toda e qualquer coisa sua. Falar mal já é uma coisa positiva em comparação a indiferença. É também o que se faz naturalmente quando se quer bem a alguém, senão vejamos:
1) Quando os nossos pais estão com uma mancha na roupa, falamos ou calamos?
2) Quando um amigo está prestes a se machucar, tropeçar ou cair, falamos ou calamos?
3) Quando os pneus do carro do(a) amigo(a) está careca ou descalibrado, ignoramos?
4) Se o(a) namorado(a) está com a roupa rasgada, deixamos para lá?
5) Se após comer pipoca ou feijoada a irmã ficar com algo preso nos dentes, ficamos indiferentes?
6) Quando as ruas da cidade onde moramos estão sujas e esburacadas, tudo bem?
7) Ao saber de mais um desvio de verba, magicamente transformamos o fato em algo bom?

E aí, quantos argumentos, quantas perguntas, quantas reflexões preciso escrever para sair da Cruz e retirar a Espada de mim?
Quais as respostas que cada um dá para essas perguntas?
Eu conheci essa sensação de estar esmagado entre a Cruz e a Espada quando amigos estrangeiros começaram a me apontar como o mais patriota e mais nacionalista dentre todos que eles conheciam. Aí vem os brasileiros me apontar como o que menos gosta do Brasil.
Aí eu paro. Aqui eu termino. Amar o Brasil não é dizer que ele é lindinho, lindão, perfeitinho, perfeitão e colocar as sujeiras debaixo de um tapetão.

Amar o Brasil é não usar um discurso mentiroso. É não ser indiferente. É avisar para o País como se nosso Pai fosse que ele está doente e precisa de cuidados. Mostrar que a roupa está rasgada. Amar o Brasil é saber cada vez mais sobre ele. É não esperar que o dinheiro cure o que só a Educação é capaz.

Falar mal não é desejar o mal. Falar mal que funciona tem na boa vontade de quem quer compreender o sentido de alertar.
Falar mal que incomoda muita gente é apontar um cenário tão feio, tão fedido, tão atrasado, tão injusto e tão violento que a vontade pode até ser que não seja verdade, mas abra os olhos, ouvidos e narinas, use os sentidos para então socorrer o país que ama. Caso você não ame o Brasil, está tudo bem.  















Eu sou o fotógrafo!

Eu sou o fotógrafo!
Essa foto me enche de orgulho. Eu acho que ficou perfeita.