sábado, 5 de setembro de 2020

Se é amor, o que você faria?

 Se fosse amor você cuidava?

Se é amor, você cuida?

Quando é amor você guarda? E de manhã você lembra?

E o que você faria?

Dava sangue.

Dava ombro.

Dá carinho.

Dá prioridade.

Dá?

É amor?

Tem certeza?

Se for conveniência não vale. Se for interesse não vale. Se for qualquer coisa, mas não é amor...

Não vale!

O que você faz? O que faria? De certeza!!!!

Ajoelhava?

Passava noites em claro?

Pedia desculpas?

Pedia perdão?

Pedia mais uma chance?

Perdoava a bilionésima vez?

Muitas perguntas, não é?

E cadê as respostas? As sinceras. As verdadeiras. As nuas. As cruas.

O que realmente você faria?

O que realmente você fez?

O que realmente você faz?

O que realmente você fará?

Acorda mais cedo?

Prepara o café da manhã?

Faz uma massagem?

Escuta um desabafo?

Abre a lata e o saco?

Prepara mais uma refeição?


O que você fez? O que você faz? O que você fará?

O que você faria?

Não tens máquina do tempo. Tens apenas o pensamento e domínio das próprias ações.

Não das ações dos outros.

Você faria o que?

Sairia mais cedo do trabalho? Explicava que o seu amado estava adoentado e por isso queria ir cuidar dele?

Mudaria os planos do final de semana ou mudava a vida inteira como desistir até de mudar de país? 

Uma resposta. Se é amor, quando é amor, por amor eu mudo e já fiz isso algumas vezes. Fiz uma vez em 2004, fiz novamente em 2010 e fiz mais outra vez em 2017. Só para relembrar algumas vezes em que mudei tudo por amor.

Eu quero saber de você! E você, o que fez? O que faria? O que fará?

Por amor. Por quem amas. 

Vai cortar o cabelo? Vai limpar a casa? Vai ouvir uma música que nem gosta tanto? Vai ao cinema? Vai aprender a declamar poemas? Vai estudar mais? Vai sair mesmo super cansado(a)? Vai ler livros? Vai usar uma determinada roupa? Vai mudar a alimentação? Vai resolver cada problema, probleminha e problemão?  


É amor.

Não me venha com desculpas.

Não há espaços para desculpas no amor.

Se nem sabes o que é amor. Se nem sabes o que é amar, então cala-te! 

O que você faz por amor?

A maior pergunta é esta.

Diz! O que fazes por amor?

O que eu fiz?

Dei minha vida.

E quem a recebeu até disse que sabe disso.

Quem eu amo sabe disso.

Nada menos! Nada mais! 

Minha vida.

Qual o valor disso?

Para quem põe valor que responda.

Para mim não há preço e o valor é inefável.

E eu corto o cabelo, cozinho, costuro, passo ferro nas roupas, acordo mais cedo, durmo mais tarde, arrumo a casa, lavo a louça, lavo as roupas, faço feira, guardo feira, pinto, conserto, faço serviço de ancanador, marceneiro, pedreiro, motorista, carregador, dou remédio, faço chá, levo pra escola, busco na escola e tudo mais que for possível.

E ainda acho sempre pouco.

Só não acho pouco dar minha vida e mesmo assim eu dou.

Quem eu amo merece meu máximo, meu tudo!

Francisco Braz Neto (05/09/2020)





terça-feira, 11 de agosto de 2020

Filósofo de terça de pandemia

Está certa a informação que o capitalismo existe do século XV pra cá?

Que mundo perfeito em que uma vida valia o mesmo que a outra existia ou existiu antes do Capitalismo?

Realmente há muita coisa triste na humanidade, as atribuições de culpa é que me parecem bizarras. Encontre esse tal Capitalismo e o matem!

Não.

Não!

O problema não é nem nunca foi o Capitalismo, nem o Comunismo, nem outros ismos, o problema é o ser humano.

"Se morrer enterra."

Enquanto vivo se coloca a culpa em algo ou alguém no lugar de se assumir culpas e enxergar as coisas como são.

Francisco Braz Neto(11/08/2020)

terça-feira, 23 de junho de 2020

Amor próprio e a reflexão

Faz sozinho?
Faz sozinha?

A reflexão? Sim.
Possível.

O amor? Sim.
Possível.

Prefiro amor dos outros e então, logo ao lado, par e passo, o amor próprio.

Tá muito marketing para essa estória de amor próprio. 

Tá bonitinho. 
Fofo!

E eu acho que está faltando verdade nua.
Está faltando verdade crua.

Amor próprio é massa, mas três pontinhos...
Um
Dois
Três

Amor próprio não abraça.
Amor próprio não conversa.
Amor próprio não leva pro hospital.
Amor próprio não faz cafuné.
Amor próprio não tem ombro.
Muito menos tem ouvidos.
E quando eu estou ferido.
Não me põe em abrigo.

Amor próprio é massa, todavia três pontinhos...
1
2
3

Amor próprio não me telefona.
Não acerta por acaso uma hora que tanto preciso de carinho.
Não recebe meus presentes.
E jamais será gente.
É massa.
É bom.
Se ame!
Me amo!
E eu prefiro amor dos outros vindo em minha direção. Logo ao lado, par e passo amor próprio. Porque é bom. É massa! É legal, entretanto...
Três pontos.
Pontinhos...
Pontões•••

Amor próprio não divide uma cerveja.
Não senta comigo à mesa.
Não sugere a sobremesa.
Não tem cheiro ou certeza.
Não tem gosto nem desejo.
Não espanta a solidão.
E se ainda acha pouco.
Esse teu amor próprio que já nem te socorre ao hospital.
Jamais derramará uma lágrima no dia do teu funeral!

Agora me diz que entendeu.
Eu admito que o amor próprio é importante.
Só não é ele que vem antes pois já nascemos amados sem nem saber o que é amor.
Nem amor por nós nem por ninguém. Amor é o sentimento mais sofisticado que existe e tem muita gente querendo torná-lo banal, mas não entendem que é impossível pois os que tentam sequer conhecem esse tal.

 O Amor?
Sim! É possível.
A questão é que não é para todos. 
Nem por todos.
Nem sempre por si mesmo.

Infelizmente, há quem não o conheça em nenhuma de suas formas.

Alguns nem amam e nem se deixam amar.

Tirando o marketing não é tão fofo assim.
Tirando o marketing não é tão bonitinho.
É cru.
É nu.

E não segura minha mão.
Não faz curativo.
Não faz massagem.
Não sussurra no pé do ouvido.
Não canta.
Não seduz.
Por mais que seja amor.
Por mais que seja próprio.
E quando for pouco é só lembrar que nunca irá derramar uma lágrima por você nem por mim em nenhum momento nem mesmo em nossos funerais.
É um amor que não tem empatia com o seu adeus a este mundo. Lhe abandona junto com seu último suspiro enquanto outros amores perdurarão.
E eu quero os amores que vêm dos outros vindo em minha direção. Esses cheios de braços e abraços, problemas e diversão. Esses amores que me trazem a certeza que o meu amor próprio não é uma própria ilusão.

Francisco Braz Neto (23/06/2020)

 








segunda-feira, 1 de junho de 2020

Prisões políticas.

Tento incansavelmente ver as situações da vida quase que de forma matemática, com lógica e sem "subliminaridades"(mais um neologismo meu), logo, num país tão problemático quanto o nosso, o país onde "o poste faz xixi no cachorro" a torcida deveria ser para acabar o tudo pode. Voltando a envolver a parte política, acho que até o Luís foi preso por questões políticas. Não confundir com eu achar ele inocente, mas também somos o país da impunidade, tanto que o Luís está o que? Solto! Eu marchei bradando fora Dilma, mas além de tirá-la eu queria Luís preso e que não parasse nele. Queria que nós tivéssemos aprendido a sermos exigentes com os políticos. O que foi que de fato ocorreu? O preso está solto e há muita energia e fogo cruzado do povo contra o povo. O mais triste é a energia gasta para proteger quem não precisa de proteção. Biquíni Cavadão: somos do povo, Zé do povo Zé ninguém, aqui embaixo as leis são diferentes. Lá em cima eles estão bem, obrigado.

Francisco Braz Neto (01/06/2020)

sábado, 23 de maio de 2020

A Manchete, o Orkut e a Globo

Era uma vez...

Um conto.

Uma emissora de televisão.

Uma novela.

Um site de relacionamentos.

Uma ficção.

Outra emissora de televisão.

O mundo vinha tão tranquilo e perfeito. Todos eram felizes e cantavam hinos a perfeição do universo. De repente alguém fundou uma emissora de televisão e todos foram expulsos do Paraíso.

Emissora de televisão funciona como? Quantas pessoas trabalham lá? Será que todas pensam da mesma maneira?

Eu assisti a Manchete. Eu assisti a TV Manchete, lembro o slogan: "Aconteceu: virou Manchete!"
Tinha a revista também, não tinha? O slogan era só da revista? Não tenho a lembrança tão nítida.
Oxe! A revista Playboy não existe mais! Se eu dissesse que deixaria de existir há 20 anos atrás eu seria internado como louco perigoso.

Eu não peguei a época do Éden, sou antigo, mas nem tanto. Tinha Manchete, TVS que salvo engano virou SBT, rede Globo com seu "PLIM, PLIM" inconfundível, e, se eu lembrasse bem, cravaria a existência da Bandeirantes que em uma época era: "O canal dos esportes!"

Já pensou, só essas opções numa época sem smatphones, sem internet e sem notebooks!!!!
NETFLIX? Nem em sonho!
Já pensastes? Imagina!

E eu estou agora em pleno século XXI vendo a Globo sendo chamada de Globolixo.
Já pensastes? Imagina!

A Manchete fechou. Até lembrar dela no dia a dia, em circunstâncias normais não acontece. Logo, ninguém chama de Manchetelixo ou Manchetemanchada ou sei lá qual nome os super criativos brasileiros dariam para ela. Talvez nenhum, só a Globo mereceu uma alcunha, embora a mídia esteja sendo colocada num mesmo saco.

E eu reflito. Quando a Globo acabar em quem vão colocar a culpa?
E eu reflito. O que aconteceu com os funcionários da TV Manchete?
Quantos eram?

Dá vontade de agradecer pelos momentos de entretenimento que a TV Manchete me proporcionou. Eu me lembro com saudosismo a novela Pantanal. Em minhas memórias há registros de ter sido um grande sucesso e que conhecemos o Pantanal e muitos dos seus encantos graças a essa produção da teledramaturgia brasileira.

É assim, dá saudades do que não se tem mais. E saudades pode provocar lágrimas.

E então o Orkut surgiu. Que sucesso! Escrevi muito ali. Tinha como deixar depoimentos para os amigos. Deixávamos público nosso afeto. Ali pessoas se conheceram, se ajudaram, ganharam dinheiro, trocaram experiências, brigaram, conheceram seus amores.... Vixe! Fizeram de um tudo ali! Mas depois de um tempo acharam melhor trocar, melhor abandonar.

E assim, uma emissora se foi, um site de relacionamentos se foi e uma outra emissora irá. Um dia irá. Não sei quando e não tem nada a ver com uma vontade minha. Eu simplesmente sei e explico que irá. Todas as emissoras irão. Se não forem totalmente extintas no sentido de existência serão no formato, na forma, no meio, nos conteúdos e em algum momento nem sei se reconhecerão as emissoras de televisão como sendo o que há hoje.

E o que me incomoda? Incomoda pensar que uma emissora possa ser comparada com um ser humano e esse ser humano ter um vínculo afetivo comigo. Eu vivi um tempo em que dos sonhos a se sonhar um bom era ser um Global, ter nem que seja cinco minutos de fama.
Muito mais que isso. Eu vivi com desenhos animados que me emociono ao lembrar e que rendem muitas horas de conversa com amigos e parentes, aproveitando uma boa cerveja. Eu vivi com programas infantis que eu pensava quão sortudas eram as crianças que podiam participar deles.

E não foi apenas a Globo que me deu bons momentos, mas ela é o foco. Eu então lembro da "maldita" "Globolixo" que me deu domingos e mais domingos com Formula 1 e com o indizível Ayrton Senna. Esse danado desse Ayrton Senna até hoje eu fico triste de lembrar o quanto senti a falta dele. Chorei quando ele morreu como se tivesse perdido um parente ou amigo. E aí a "Globolixo" me deu Sessão da Tarde, Corujão, Temperatura Máxima, Casseta e Planeta, Escolinha do Professor Raimundo, Globo Rural, Globo Reporter, Pequenas Empresas Grandes Negócios, Vídeo Show, Globo Esporte, Fantástico, as aberturas do Fantástico, as novelas, ....

E como me dá uma nostalgia lembrar de: Que Rei sou eu?
Como posso esquecer que cada desenho animado sozinho rende papos e memórias impagáveis?
Mas a "Globolixo" virou apenas a emissora que não agrada ao dar notícias que não deveriam ser dadas. Virou a emissora que mente quando a notícia vai contra o político que eu cultuo. Virou incompetente pois tudo que faz e não me agrada nunca sou eu quem estou errado, afinal eu sei tudo e os profissionais que ali estão não sabem nada.

E eu sou muito repetitivo, lembram? Já disseram!

Eu vou repetir mesmo assim!

Há algo estranho! Tenho amigos que orgulhosamente se dizem de esquerda e juram, provam, demonstram por A + B que a Globo é direitista. Mas ao mesmo tempo conheço amigos que se dizem de direita com pompa e altivez falando de forma categórica que a Globo é esquerdista.

Vocês sabem que essas coisas são ditas de forma muito cortês, com polidez absoluta e com um conteúdo muito profundo. Tanto que os dois grupos chegaram a conclusões, somente, opostas.

E eu?

Eu vou ligar a televisão e escolher a Globo quando me der vontade, mas lembrando que está difícil demais escolher a Globo desde que inventaram TV a cabo  e YouTube. Não é pela situação política, para mim é concorrência mesmo. No YouTube eu posso ver o que eu quiser na hora que eu quiser e quantas vezes eu quiser. A Globo me lembra a época em que ou se programava para ver o filme na hora que iria passar ou perdia.
Isso justificou a invenção dos Videocassetes e seus muitos recursos que todos comentavam que nunca sabiam utilizar nem a metade deles. Colocar para gravar os programas favoritos e assisti-los quando quisesse era um luxo!

E eu?
Eu reflito.
Será que na Globo todo mundo pensa igual?
Quantos funcionários têm a Globo agora em 2020?
Quantos funcionários foi o máximo que a emissora já teve?
Você achincalhar a emissora de tudo quanto é impropérios já levou em conta os faxineiros de lá? E os cozinheiros? Os maquiadores? E os câmeras? Talvez você tenha lembrado dos motoristas, não lembrou? Hum... Lembrou dos roteiristas? Dos atores? Das atrizes? Dos costureiros e costureiras? Das continuistas? Dos tradutores? Das dançarinas? Dos eletricistas? Dos repórteres?

Atenção!

Aos da emissora do Rio de Janeiro apenas?
Não!
Quantos funcionários há na Globo do seu Estado?
Agora soma tudo.


Fechou a Globo!

E agora?

Em quem você vai colocar a culpa?

No povo?
Ah! É! No povo ignorante.

Assumir o erro, jamais.

Nas Olimpíadas eu vou esquecer que foi na Globo que vi as últimas 10 edições dos jogos Olímpicos.

Como eu vou compreender a incompetência da "Globolixo" malvadona? Afinal, a amiga da ditadura da direita, amiga do regime militar não conseguiu evitar a subida ao poder da esquerda de Fernando Henrique e o prosseguimento da esquerda com Luis e ainda Dilma. E ainda há uma superação na incompetência pois a culpada nacional foi tão incompetente que mesmo sendo o templo da esquerda permitiu a eleição do Jair. Eu, sendo da Globo, iria viver em crise. Seria o tempo todo me indagando: - Quem sou eu? - Esquerda ou direita?

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A Globo já foi chamada de "Isentona"? Estou por fora. Sério. Não estou sabendo disso ainda.

Mas será que eu não teria críticas à Globo? Resposta: - Claro! Mas se eu tenho até críticas à mim mesmo, por qual razão não teria à emissora? Mas é encarar que eu sou humano e falho que vejo um lugar lotado de humanos que também é cheio de falhas. Um tanto simples. A Globo não faz as coisas como você quer? Não dê audiência! Pronto. Era discurso da direita que seria esse o comportamento de uma pessoa no espectro político da direita.

O resumo é que sempre a culpa de tudo está em alguma coisa fora. A Globo faliu. A Globo virou museu. As televisões estão cheias de canais para escolher, mais de 100, mais de 1000, mais cem milhões. São canais de todos os países, tem NETFLIX e ainda o infinito YouTube.

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Você ama um canal do YouTube, ele é a nova Globo, será amado, será uma honra aparecer nele, suas memórias afetivas estarão repletas de lembranças de vídeos deste canal até que você pedirá a cabeça do canal, será "Canalixo" quando o canal não concordar politicamente com você.

Eu não posso salvar a Globo. Eu não pude salvar a Kodak, eu não pude salvar os datilografistas, não estava em minhas mãos a continuidade do Orkut, a TV Manchete idem, não tenho o poder nem o desejo de voltar no tempo nas questões tecnológicas, mas eu adoraria ver a humanidade avançando nas qualidades individuais tanto e tão rápido quanto a tecnologia avança.

Oi leitor! Tudo bem? O avanço da humanidade que eu escolheria como um dos primeiros era o fim da servidão voluntária. Em linguajar mais básico, parar de idolatrar políticos. Ainda tá com raiva da Globo ou da sua equivalente em seu país? Está com raiva do jornalista?

Canta comigo:

Se você disser que não informei, amor
Saiba que isso em mim provocar imensa dor
Todo julgamento após tudo apurar
Será resumido em não agradar

A avaliação se é mentira ou não
Sempre é decidida se agrada, então
O jornalista, artista, humorista que amavas
Já não amas mais
Ele falou mal do seu Déspota...

No peito do jornalista
No fundo do peito bate calado
No peito dos funcionários também bate um coração


Que saudade dos Flinstones! 

Quem vai sentir saudades de você?

Você é a Globo de quem?


Francisco Braz Neto (23/05/2020)















   



















 

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Um mantra suplicado.

Quando algo puder ser aprendido pelo amor não escolha aprender pela dor.

Quando algo puder ser aprendido pelo amor não escolha aprender pela dor.

Quando algo puder ser aprendido pelo amor não escolha aprender pela dor.

Quando algo puder ser aprendido pelo amor não escolha aprender pela dor.

Quando algo puder ser aprendido pelo amor não escolha aprender pela dor.

Quem já disse isso antes?

Quem já suplicou por isso antes?

Quem já implorou por isso antes?

Quem já escreveu isso antes?

Não quero plagiar.

Quando algo puder ser aprendido pelo amor não escolha aprender pela dor.

Se eu repetir será que funciona?

Quando algo puder ser aprendido pelo amor não escolha aprender pela dor.

Se eu estiver de joelhos, faz mais efeito?

Se eu estiver perdendo o sono dá mais crédito?

Quando algo puder ser aprendido pelo amor não escolha aprender pela dor.

Quem vive com você?

A quem você impõe regras?

Quem impõe regras a você?

Quando algo puder ser aprendido pelo amor não escolha aprender pela dor.

Suplicado.

Repetido.

Francisco Braz Neto (17/04/2020)


Afluente de emoções

Em pedaços de dias
Seus momentos
Seus períodos
Suas estações
Você derramando palavras
Você derramando lembranças
E tudo seu deixando de ser cem por cento

Em frações de você
Desnudando intimidades
Falando com propriedade
De emoções suas
E de águas molhando a ti
Águas que estão até bem guardadas
Impossíveis de serem vistas por vistas óbvias
Nessas frações há vezes que afluí
Vezes que fui afluente
Eram águas suas
Escondidas ou mostradas
E minhas se uniram
Algumas vezes só as minhas eram visíveis
Mas sei que sempre eram afluentes
De lágrimas ancestrais
De rios caudalosos

De momentos partilhados
Estórias
Alegres e cheias de saudades
Tristes e cheias de verdades
Dolorosas e desaguo solidariedade
Margem esquerda
Margem direita
Afluente sem importância
Afluente importante
Afluente conhecido
Afluente desconhecido
Afluente caudaloso
Afluente aflito.

De águas.

De emoções.

Afluir.

Em pedaços
Suas etapas
Desafios
Vencidos
Perdidos
Perdeu a esposa
Perdeu o Pai
Perdeu o filho
Casou
Casou novamente
Agora uma filha
Agora um neto
E emoções caudalosas
Rios de emoções
E você derrama
Você me derrama
Eu te ouvi
Você rio
Eu afluente
Você principal
Eu acessório

No pedaço do seu dia
Você abriu o coração
Abriu seu segredo
Abriu segredos mil
Em alguns momentos repetiu
Emoções tão bem conhecidas
Sorrisos e marcas atrevidas
Riscadas nas paredes da mente
O cárcere de eternamente
Até pensastes fugir
Desistes logo a seguir
Não és um inconsequente
É hora de admitir
Celebra o afluente.

E se te faltar afluente?
Secas?

E se te faltarem afluentes?
Que vais fazer?

Nunca precisastes?
Que rio não possui afluentes?
Se te faltar, de que viverás?
De chuvas, não é?
Nascentes.
Uma nascente ao menos.
E de onde nasce até onde possas ir.
Até onde tuas emoções possam ir.
Sem afluentes.

Serias tu afluente das emoções de alguém?

Serias tu afluente das águas de alguém?

Fostes?

Ao desaguar, ao chegar ao mar, ao destino final, seja lá qual for, quantas flores e quantos frutos foram alimentados?

Quantos terrenos secos, áridos, inóspitos foram fertilizados, recuperados e produziram após esses rios de emoções terem passado com ajuda de seus afluentes?

Quem pôde matar a sede com o principal rio?
Quem saciou a sede com a grota de águas cristalinas?
Do menor para o maior. 
Do mais fugaz ao perene.

Cada um afluindo como pode e quando pode.
Cada um afluindo sempre que empático.

Há sempre um rio envolvendo aqueles corações e cérebros que passam por nós a cada dia.

Francisco Braz Neto (17/04/2020)





Eu sou o fotógrafo!

Eu sou o fotógrafo!
Essa foto me enche de orgulho. Eu acho que ficou perfeita.