segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

O Amarelo em Setembro

Se sabes o quanto, como decides o que fazer?
Se sabes o tanto, o que decides dizer?
O amarelo do fogo um manto.
Quem é que escolhe sofrer?

Ombro para que te quero ombro.
Quem é que vai proteger?
Dizer que não sabe, ocultando.
O que em tudo pode se ver.

Quando setembro chegar
Só lá que vamos resolver
Nos outros a gente combina
É tudo questão de querer
Remédio é fácil e cura
Não venha me aborrecer.
Felicidade, pra mim, é agora.
Depois a gente vai ver.
Se sabes, então ignora.
Dói, continua a doer.
O que diria quem se foi?
Por eles, eu vou responder.
Atrevimento com culpa.
Nada, por eles, pude fazer.

Queimadura. Ardor. Ferro em brasa. Brasa pura. Na pele. Na imaginação de como seria. Nó na garganta como uma pedra grande e disforme. Dor mental, confusão, temor, dúvidas, frenesi de pensamentos, pavor, vergonha, dor de cabeça, enxaqueca, dor de vergonha por sentir o que se sente. Dor por causar dor em quem ama. Dor por ser um peso para os que ama. Dor sem explicação. Doi e pronto. Sem dizer porque nem pra que.
Mas quem fica o que faz?
Faz se sabe? Não faz justamente por saber? Cada um no seu quadrado, é isso?
Quando setembro chegar, saudade já não mata a gente. A gente ri, a gente chora. Escuta uma música do Geraldo. Visita alguém quando um certo alguém desperta o sentimento. Nos vestimos de amarelo e tudo bem. Tem dia e hora para acabar.
Tem mês certo.
O que decidi fazer? Fui ombro e ouvidos. Fui pouco? Fui o que pude ser.
O que sei? Sei um tanto e um quanto.
Da brasa ao nó, da mente à dor.

Sei que quero o amarelo de setembro em setembro e quero o verde simbolizando a esperança.
Não quero é esperar nenhum segundo pelo vermelho sendo o sangue ou preto sendo o luto. Não importando o mês, o dia nem a hora. Deixo o outubro Rosa ser Rosa e o novembro Azul ser Azul. Tudo que é importante é importante o tempo todo.

Francisco Braz Neto(14/01/2019)



























Um dia emocionalmente emocional.

Perto do dia está.
Mais um dia passou. Foram vinte e quatro horas. De novo. Quando chegar eu vou ver o que vai acontecer. Mas pode ser que eu não chegue até lá. E só lamento pelo que não vou mais dizer. Lamento o cansaço e a impaciência. O que tinha que ser dito já foi dito. Dizer mais é inútil para quem não quer entender.

Lembro de alguns e estou esquecido e esquecendo da maioria. Estou generalizando. Celebrei, lamentei, molhei e li. Vai chegando perto do dia e tenho medo. Estou molhando os dias. A agenda está abandonada. Ela é de papel e não aguentaria água.

Presentes. Quem? Quando? No dia. Em um único 41 dias que não se passa inteiro com quem é o do dia. Quando e se o 41 acontecer quem e quando estará?
Presentes. Não. O que sempre quis não dura um dia. Trezentos e sessenta e quatro contra um só super heróis e olhe lá. Luta injusta.
O relógio não liga para isso.
Perto fica e depois fica longe. A questão não é esta, a questão é esperar um dia para ser mais. Esperar um dia para deixar de ser menos.
Não é para o mundo é para o mundo individual. Aquele pequeno universo particular. Núcleo.

Ela olha para mim e espera sorrisos e que eu brinque. Eu décadas e ela uma. Eu fugi algumas vezes. Aquela escapada para molhar células diferentes. Uma água que passa por canais estudados pela biologia.
De onde tiro forças?
Tática, técnica de sobrevivência, corte o que se passa por dentro do que os outros conseguem ver fora.
Use os antônimos, os opostos e a mente.
Tristeza feliz.
Tristeza dentro, felicidade fora.
Grito sereno.
Grito por dentro, serenidade por fora.
Amor insensível.
Amor por dentro, insensibilidade por fora.
Fragilidade forte.
Destruição por dentro, invencível por fora.
Lágrima seca
Inundação por dentro e seco por fora.

De que adianta?
Está tudo escrito aqui!
Verdade. Acontece que aqui é página de livro esquecido em um quarto escuro, sujo, bagunçado, de uma casa abandonada e assombrada. Só vem até aqui quem quer muito. Espero que não seja o caso de mais ninguém.
Alguns minutos se passaram. Está mais perto do dia. Perti das velas. Palmas. Até lá muitas lágrimas estão aparecendo na previsão emocional.
E por fora terá que ser diferente do que está por dentro.

Francisco Braz Neto (14/01/2019)


















Do livro que você não lê

Do alto.
Da auto.
Biografia.
Das coisas que aprendi nos livros.
Como.
Eu te disse, dia apos dia, um livro.
Imenso! Por causa das infinitas coisas que bio em 24 horas.

Eu homem, que falo do que fiz e falo do que nunca farei como se fosse livro falante. Vou sendo livro aberto de estórias avulsas, únicas e que colocando mais adjetivos não garantirão serem lidas.
Sou mais um livro leitor e com páginas em branco, prontas para serem preenchidas com autobiografias alheias.
Bios que eu vou passando por elas e elas por mim.
Um livro em constante mudança. Novas páginas, novos capítulos, novas gravuras e em novas plataformas.
Livro com leitores desconhecidos e que eventualmente se revelam. Ao se revelarem escrevem palavras, parágrafos, paginas e talvez até capitulos inteiros do livro.

Livre e com data para acabar desconhecida pelo autor. Obra de tijolos metafóricos concretamente utilizados para lembranças sólidas. Lembranças de papel, de bits e bytes, de mente, do que a mente guarda e do que a mente gostaria de guardar.
Livro, o rosto, as maos, os membros, grande parte dos órgãos, para no final não adiantar de nada. Livro, livro, livro e não livro o coração. Nem a mente!
E não há nada que atormente mais que uma mente atormentada.

Mente livro de um Livro que não mente. O Livro que você não lê. Não tem capa sedutora, não é best seller, a edição é única e fica. Vai, vem, sobe, desce, acompanha o café, o almoço e o jantar. Livro faz tudo de tudo. Precisa de revisão gráfica, ortográfica, uma repaginada, uma dedicatória e dedicação. Vai receber caixão.
Do livro que você não lê, quantos anos de solidão?
Cem, o título de outro livro.
Imortal é a ilusão.
Humanas efemeridades.
Confirma, se nunca extinção.
Essa parte agora termina.
O Sol brilha e ilumina.
Dentro, só escuridão.
Livro fechado é cortina.
Protege as estórias do dono.
Ainda dói, coração.

Francisco Braz Neto (14/01/2019)













quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Eu amo cantar

Eu amo cantar
E nem posso
Falta
Faz falta

Eu amo cantar como se ama
Daquele jeito mesmo
Bem assim
E só pude cantar quando frio
Por vezes canto quando infantil
Infantil e pueril
Dessa forma ainda dá
Pois quando tento da forma que gosto
Falta
Faz falta

Eu amo cantar como sempre amei
Insisto e tento outra vez
Aí falta o ar
Falta a voz
A voz embarga
E sem maquiagem, sem máscara, sem palco e sem platéia
Canto
Sem encanto
Pranto
Planto a semente e acalanto
Mesmo assim
Falta
Lenço
Toalha
Para enxugar
Tanta correnteza
Nem estanco
Falta
Faz falta

Eu amo ouvir
Amo como sempre amei
E daí nó
No gogó
Toalha vermelha
Lenço vermelho
Pele vermelha
Tudo vermelho
Paredes, roupas, sapatos e mais
Confundir o mundo com o sangue
Meu sangue querendo sair em forma
De lágrimas
Falta
Faz falta

Eu amo
Cantar faz parte
No banheiro
Mais uma vez escondido
Enquanto sangue dentro
Água fora
Eu amo
E enquanto chuva
As lágrimas ganham companhia
Enquanto chuveiro
As lágrimas passam
Invisíveis
Falta
Faz falta

Eu amo cantar
Não posso
Amar
Prescrição
Médica
Auto medicação
Não posso
Cantar
Desafino
Isso em mim provoca imensa
Dor
Deveras sinto
Perdido no labirinto
Sem mapa certo
Falta
Faz falta
Penalidade
Punição
Eu amo cantar
Não posso
Falta
Voz
Tempo
Ritmo
Passo
Compasso
Ar
Faz muita falta.

Francisco Braz Neto(09/01/2019)























Mineração

Enterrado.
Há quantos mil milênios?
Há ou não há?
Em qual profundidade?
Tá valendo quanto?
É petróleo?
Ouro?
Diamante?
Platina?

Enterrado em terra, preso em rocha, seguro e ...
Por quanto tempo?
Fincado em coração?
E até lá vai broca.
Águas profundas e depois muito mais profundo poço.
Vai broca!
Se valer a pena.
Se vale a pena.
Se valesse a pena.
Serena, amena, plena, poema ...

O valioso valia quando o valor era válido.
Valeu enquanto valoroso brio valera.
Outrora enterrado e sem valor conhecido.
Achado, ao ápice é movido.
Lapidação, destilação, trituração
Etapas, processos, desgaste
Muito será removido
Enfeite, queima, moldado
Há chances de lixo ser tido
E como se chega lá?
Chega broca?
Diz!
Chega com golpes de picareta?
Usando explosivos?
Preferes marreta?
Segue.
Bem desprotegido.

Mineração
Faz a confissão!
Foi fácil.
Foi fácil?
Foi?
Estava na palma da mão o tempo todo.
Por isso que...
Vale?
Não vale?
Foi mal.
Nem tapinha nem costas.
Só quando é difícil.
Só quando broca.
Sem bronca.
Só vale fundo e profundo
Desde que nunca atinga a fossa.
Nunca fosso.
Por mais que lapidado
Jogando fora o esboço
Tudo parte do todo
Cascalho, gases, esgoto
Valer depende de gosto
A joia, a pedra marcada
Jogada voltando a ser nada
Achada, incerto esforço
Valer ao menos carinho
Um beijo na boca do moço
Minera dia após dia
Velho querendo alvoroço
Esquece o mapa da mina
A mina menina é osso
Dura enterra a saída
E o fim, castiga de novo.

Francisco Braz Neto(09/01/2019)





 




segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Você me achou?

Conta até dez.
Conta normal, sem pressa. Não é a contagem de final de ano.
Não é lançamento de foguete da NASA.
Hide and seek.
Yes, that's it.
Pronto ou não, lá vou eu. Quero dizer: pronto ou não, lá vem você.
Olha.
Tenta ver.
Estou embaixo da mesa?
Não.
Continua.
Onde estou?
Na varanda?
Não.
Na cozinha?
Embaixo da cama?
No armário?
Onde?
Ao lado?
Esconde-esconde.
Na verdade eu estou bem escondido.
Na verdade, estou em mais de um lugar ao mesmo tempo.
Eu faço umas mágicas.
Uma que sou bom é virar lembrança, virar pensamento, virar transportável e ir em pedaços com cada um que me ama.

Então!
Onde estou?
Na porta?
No porta?
Na gaveta?
Na parede?
Na área de serviço?
Nos bites?
Nos bits?
Nos pixels?
No papel?
Onde estou?
Você me achou?

Onde estou?
Nas mãos?
Visível?
Achou?
Batida salve todos.
Ninguém que procura vence quando na brincadeira algum participante tem invisibilidade como parte dos poderes.
Alguém perde feio quando na brincadeira não tem quem procure.

Onde estou?
Não ajudo a me achar, não dou dicas pois há vezes que sei onde estou e vezes que não.
Vezes que importa onde e vezes que não.
Na maioria das vezes importa muito como e com quem.
E de repente acabou a brincadeira.
Não achou?
Achou?
Onde?
Me fala.
Me escreve.
Me descreve e me detalha onde. Quero ler e reler esse mapa que me mostrará onde estou em meus momentos mais perdidos.

Francisco Braz Neto (31/12/2018)

















O livro do mundo

Já escrevi e o fantástico é não ter fim.
Não é o título. Fosse apenas título seria plágio do filme. O livro do mundo é o ciclo. Nasce, cresce, reproduz e morre. No intervalo, tudo mais. Nos intervalos, tudo mais.
O capítulo número um começou muito antes de mim. O quanto antes? Não sei.
Há muitos que alegam saber, há muitos que acreditam em quem diz saber, mas eu não.
Há capítulo dois e três. Até chegar ao chamado capítulo 1978 do calendário vigente escreveram milhões de capítulos do meu livro.
Dei ordem! Quero que cumpram!
Tenho esperança que cumpram.
A ordem é que sigam escrevendo e o façam da melhor maneira possível.
Cuidado com as pitadas ou medidas de cada ingrediente. Mais cuidado ainda com as dosagens de drama, terror, guerras, destruição, ódio e trapaças. Generosidade nas porções de romance, comédia, ação, aventura e fantasia.
Os personagens desse livro sempre foram perfeitos e imperfeitos dependendo do ângulo, da maquiagem e, mais que tudo, do Chronos.
E nesse livro você, que está lendo, faz parte. Não sei em qual capítulo exatamente, não sei por quantas páginas, mas está.
Na próxima semana Diogo se casará com Olga. Quando, de repente, Médici desdobre que seu melhor amigo, Diogo, está com uma doenca gravíssima!
-O que devo fazer? Pergunta-se o atormentado Médici.
- Por que em um momento de tamanha alegria meu melhor amigo adoece tão gravemente?
Médici tinha ido buscar os resultados dos exames a pedido de Diogo. Eram exames de rotina e alguns outros que o médico da família pedira por precaução por Diogo ter casos de doenças graves em parentes próximos e em metade de seus avós.
Até então, Diogo vendia saúde. Em seus 26 anos pouco lembrava de ter sequer enfrentado uma gripe forte.
Uma semana e altar.
Não!
Uma semana e velório.
Médici daria a notícia.
Fim.


Quem fez o final?
O livro do mundo. Eu escrevi.
Fiz todos os personagens que pude, brinquei com cada um deles, disse o que quis, quando quis, mas não pude voltar atrás. A borracha para apagar só tira da memória, faz efeito até certo ponto, mas uma vez escrito, escrito ficará.

Pode ser que ao reler pareça outra história de uma estória ou uma estória de uma história.
E quando e se e como e onde o mundo acabar acabará a história e a estória, as histórias e estórias.
Assim, sem volta. Só livro. Livre.

Francisco Braz Neto (31/12/2018)

























Eu sou o fotógrafo!

Eu sou o fotógrafo!
Essa foto me enche de orgulho. Eu acho que ficou perfeita.