quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Aprender: um verbo de Ação.


Falando sobre o que considero mito e o que acredito ser verdade sobre aprendizado.

Em 1995 eu comecei uma contagem e até o dia de hoje sigo com ela. Os dias, meses e anos que estão juntos na minha carreira de professor chegaram aos 18 anos. Quase duas décadas. Parece muito, contudo é menos do que a quantidade de anos em que fui aluno. Por me considerar um eterno aluno da escola da vida e aluno em potencial da forma mais tradicional, com sala de aula, professor, chamada e etc. Aí é que fica mais forte o peso dos argumentos e da visão do eterno aluno que por hora vos escreve. Acrescento ainda o fato de recordar de muitas coisas dos meus tempos de escola.

Agora vamos ver se há algum segredo para conseguir aprender seja lá o que for.
Curto e grosso. Rápido e rasteiro. Não. Com o uso correto e literal da palavra segredo não existe. O que existe então? Bem, vou enumerar vários caminhos para atingir o aprendizado, mas a obviedade será companheira. Três décadas como aluno e as seguintes observações ficaram cada vez mais sólidas.

Primeiro. Quer aprender? Comece. Que foi? Fez dã pra mim? Pro texto? Avisei que a obviedade seria companheira. Agora que você parou de me ofender em pensamento, gasta as energias para lembrar-se do monte de vezes ao longo da sua vida em que escutou alguém falando em fazer um curso. Inclua a si mesmo e aí vai ser mais produtivo. Ampliando o gasto energético, pense em quantas vezes as explicações para não começar passaram por questões financeiras, tempo, oportunidade e tantas outras razões. Então não vamos para o campo das lamentações e valoriza comigo esta obviedade. Começa, nem que seja sendo autodidata e passe para a parte dois.

Segundo. Quer aprender? Continue. Não desista. Que foi? Vai desistir, não é? De ler até o fim. Dã duplo. A obviedade segue, mas só com essas duas observações feitas ao longo da vida e incessantemente reforçadas, enquadro quase todo mundo. Meus alunos são, em sua grande maioria, sinceros e ao serem sinceros comigo fica melhor se ouvirem atentamente o que dizem. Eles dizem: “já comecei e parei milhares de vezes”. Guardemos os milhares para a área da metáfora e o começa, para, começa, para e de novo... literal. Está dando murro na mesa? Não consegue aprender mesmo estando fora dos dois pontos já expostos. Vai para o terneiro. Afinal, você não é de desistir. Quanto a você que se encaixa perfeitamente neste desiste, desiste, desiste eterno, o que sentes quando encontras com alguém que começou igual com você, era muito ruim, tinha dificuldades e agora ficastes sabendo que ele ou ela está muito bom? Vai para o terceiro para relaxar um pouco. Ficar se lamentando não fará você aprender nada novo. Lamentar já é um doutorado universal.

Terceiro. Quer aprender? Faça volume de horas de estudo. Quantas horas por dia? O máximo que der. Não o meu máximo, o seu.
Quantos dias por semana? O máximo que der.
Quantas semanas por mês? Advinha! 
Quantos meses por ano? Suspense!
Quantos anos? Peguei vocês! Não é o máximo que der e sim a quantidade que for necessária de acordo com o seu objetivo.
As perguntas dos meus alunos são tão repetitivas quanto um mantra é. Minhas respostas acabam sendo igualmente repetitivas. Aliás, a resposta para cada uma das perguntas deste terceiro tópico tem uma ligação com o objetivo de cada um. Na prática, quem precisa aprender, está numa pressão danada para conseguir e seja lá qual for a razão ficou no aprende ou se ferra e ainda por cima tem prazo estipulado, hum... acaba é virando CDF (sem explicações para a sigla, talvez pessoalmente, um dia que nos encontremos e você não saiba o que é).
Puxando para os alunos de idiomas. Essa de ter as aulas padrão, normalmente, em sua grande maioria, com dois encontros com o professor de 1h e 15 minutos ou um só de 2h, sendo que o aluno só abre o livro quando o professor pede e fecha na primeira oportunidade e só abre novamente na aula seguinte não tem muitas chances de dar certo. Dar certo pode até dar, mas demoooora.
Mito. Para aprender preciso ir para um país onde o idioma é o que quero aprender. O que é verdade e sinônimo do que estamos abordando agora? Volume! Poxa vida! Você é um brasileiro e acorda ouvindo uma rádio em inglês, assiste ao telejornal em inglês, vai trabalhar e ouve músicas em inglês no carro, no ônibus ou seja lá qual meio de transporte for, pergunta a todos os colegas quem é que fala inglês e depois que descobre fala sempre que pode com eles em inglês, chega em casa do trabalho e para relaxar vai ler um livro em inglês ou escutar músicas, dependendo do dia acessa um site em inglês, aprende  todos os dias palavras novas com um simples dicionário, tem condições de pagar um curso, tem condições de ter um professor particular e se o texto fosse só sobre as possibilidades mais um monte delas, você veria que uma pessoa desinteressada, mesmo num país de língua inglesa não vai aprender uma fração do que você vai. É legal ir para o outro país? Precisa responder. Não é? Digo aos meus alunos que sim. Repito: SIM! Mas não é obrigatório e nem causa problemas. Lá no outro país a chance é esmagadoramente maior de ter volume, você vai ter 24 horas por dia do novo idioma à disposição. Caso você não faça uso dessa oportunidade, você vai ter um resultado pífio.

Quarto. Quer aprender? Não tenha vergonha. A inteligência é algo magnificamente democrático, por sua vez o conhecimento mesmo que disponível não é consumido em grandes quantidades e nem por muitas pessoas. A maior desgraça desse desencontro? A inteligência sem conhecimento é o mesmo que um solo ruim com sementes boas, a produtividade é baixa. O conhecimento sem inteligência é o mesmo que uma arma de destruição em massa, eficaz ao que se propõe ao mesmo tempo em que é extremamente perigoso. No fim das contas receba de bom grado pelo menos este texto te dizendo: és inteligente! Meus alunos via de regra ouvem isso. Agora vão poder ler e reler.
Uma vez inteligentes se permitam aprender o novo. Aprender é um verbo de ação e não de estado. Aja e aprenderás, permaneças sem ação e nada ou quase nada vais conseguir aprender. Vergonha você manda para... deixa eu pensar... tic tac tic tac tic tac... faz de conta que se passaram algumas horas... Manda para onde você quiser. A vergonha é sua e nada mais justo você decidir para onde mandar.
Puxando para os alunos de idiomas. Isso é bem mais a cara deles. Eu sei como é. Você vai para uma turma e quando erra e sabe que na sala está cheio de gente que sabe mais que você aí a vergonha te invade. Para piorar são pessoas sem educação e começam a rir de você. Bem, aí puxo o problema para os teachers, se alguém falta com o respeito dentro da sala de aula o professor é o responsável. É uma questão que dá um livro pessoal. Educação não se encerra em um parágrafo, mas declaro solenemente que em meu histórico amplo e diversificado fui agredido por pessoas que se achavam os sabichões, os melhores e por isso fiquei doutor nessas situações. Queridos alunos, eu, em algumas das vezes tive motivos para nunca mais fazer perguntas em público, mas ao aprender a solicitar a um dos "sabichões" que explicasse o que eu acabara de perguntar, retornei ao mundo dos confiantes. Estou nos 100%, os "sabichões" estavam mais para energúmenos acéfalos. Dava para saborear o momento ao ver eles sem saber responder o que haviam acabado de ridicularizar. E depois do primeiro, as vezes pus para fora a lição de moral que na ponta da língua pedia para sair. Se tivesse observado um ou dez dando risadinhas, desafiava cada um a responder, imagina a pressão, se é tão ridiculamente fácil não é sabendo um pouco a respeito que dá para se livrar. Encerrando esta questão, nem se envergonhem e nem façam isso aos outros. Errar é ruim, mas falsos inteligentes são indizivelmente piores.
No caso de idiomas é o caminho do aprendizado na essência. Se você não se expõe, não fala, não escreve, não faz nada, como o professor vai saber o que precisa ser feito? Nem mesmo um aconselhamento vai poder ser dado além de: - você tem de se expor.

Quinto. Quer aprender? Use bons equipamentos, boas ferramentas e se isso não for possível, tente retirar o máximo do que estiver disponível. Meus alunos e as pessoas que me pedem conselhos sobre como aprender, qual o melhor curso de idiomas e afins, via de regra, me escutam fazer uma comparação entre estudantes e atletas. Um atleta com um grande potencial chega a conseguir bons resultados. Este mesmo atleta com os melhores treinadores, a melhor alimentação, com cuidados na preparação psicológica e tudo de melhor relacionada à sua modalidade esportiva vai virar uma lenda. Faça o mesmo em relação ao aprendizado. Procure o melhor livro, o melhor dicionário, o melhor professor, o melhor ambiente de estudo, a melhor gramática, a melhor cadeira, mesa e até mesmo o melhor lápis. Se não der para ter o melhor use o que tens ao máximo, esgote os recursos disponíveis. É mais ou menos assim: é melhor ter um dicionário com 8 mil verbetes e aprender 100% do que ele te oferece do que ter um que possui 500 mil verbetes e você só fez carregar este imenso e pomposo dicionário da livraria até a sua estante. Livro bom que você não usa e só faz juntar poeira em comparação com um livro ruim que você usa sempre, precisam trocar de adjetivos.
Outro ponto muito destacado por mim é a colocação do professor como apenas mais uma ferramenta. Digo sempre: - Eu sou tão ferramenta quanto um lápis! Sabendo me utilizar, tirando o máximo de mim vai fazer toda a diferença. Em conseqüência disto e sendo coerente com esta afirmação, mesmo tendo, ao longo dos anos, alunos que passaram em concursos e que conseguiram resultados muito almejados, o mérito é quase que todo deles. O lado que pode incomodar é que a responsabilidade do fracasso também recai sobre o aluno. Para citar exceções a este ponto coloco as crianças como diferentes.
As crianças precisam de um trabalho diferente e o mais importante ao falar delas é que os pais são fundamentais nesta equação. O professor tem de sair do papel de apenas ferramenta e ser muito mais. Meu início foi com crianças e com elas trabalhei por mais de uma década. Comecei um adolescente de 17 anos e parei um adulto cansado. Cansado de ser confundido com alguém que deveria assumir a educação de cada um dos meus alunos.

No lugar de contar uma dezena de histórias, vou tentar ser breve com uma. Fui chamado para dar aulas de matemática para um adolescente e logo-logo estava também trabalhando com o irmão mais novo dele. Eram filhos de pais separados. As aulas eram no apartamento da mãe e o nível sócio-econômico era bom. Eu sou e sempre fui muito disciplinador e exigente. Os meninos eram uns danados, mas quanto mais eu os colocava na linha, mais eles gostavam de mim. O que teve demais nessa história? Um dia o mais velho disse para mim que ele e o irmão gostavam mais de mim que dos pais deles. Eu ainda era novo e já sabia que não era verdade, que era preciso interpretar o pedido de socorro daquelas crianças. Dar limites para uma criança pode ser uma grande forma de amor. Agora deixo que vocês conversem mais aprofundadamente sobre isso com um psicólogo.
Muitos anos além daquele dia continuei a trabalhar com crianças, mas confesso a vocês que a história que acabei de contar foi difícil para mim, porém não foi a única.
Resumindo e recapitulando este tópico. A não ser que você seja criança, use sempre o melhor equipamento disponível e utilize-os ao máximo. Não caia no lugar comum de atribuir a culpa sempre a outras pessoas. Assuma sua parcela de responsabilidade no fracasso e aproveite para regozijar-se muito com o outro lado disto. Se conseguires aprender algo é você quem merece os parabéns.

Para terminar vou colocar uma questão que pode ser polêmica para alguns. Para outros um tabu e ainda pode ser uma verdade inconteste.

Criança aprende mais rápido que adulto.

Para mim é uma afirmação que tem muito eco. Ouço feito mantra. Escuto como se verdade inconteste fosse. No final das contas eu peguei esta afirmação, coloquei com um ponto de interrogação. Fiz uma enorme reflexão. Agora vos digo que não concordo não.
Quando sou eu que estou caladinho, só escutando como as crianças aprendem rápido e os quase milagres dos pequenos sei que envolve um certo orgulho dos pais, tios, avós e etc. Mas ao observar atentamente, ninguém que eu tenha escutado disse algo novo. Não tive a oportunidade de ouvir alguém com uma reflexão, mas sim com muita admiração.
Agora vejamos uma novidade a mais vinda deste que vos escreve, além da já mencionada discordância.
Alguma vez, ao comparar a velocidade do aprendizado de uma criança, já pararam para pensar quantas vezes, ou melhor, qual seria o placar se fizéssemos 10 pares, cada par sendo formado por uma criança e um adulto e marcando um ponto para quem vencesse? E quando fizerem esse exercício mesmo que mentalmente, já tomaram o cuidado de fazer isso a respeito de algo que fosse do zero?
Leitores, o exemplo que mais ouço é o do idioma, seguido de perto pela utilização das novas tecnologias. Quando os pais vão para outro país e os filhos aprendem rápido o idioma. Uma prima mega, hiper inteligente que tenho, certa vez me falou que está comprovado cientificamente que as crianças escutam melhor que os adultos, pois os adultos já possuem certa perda pelo passar dos anos. Aceito e concordo. Ela só não mencionou nada sobre se ao fazer a competição dos 10 pares essa melhor audição das crianças seria suficiente para superar a disciplina dos adultos, a quantidade de informações já armazenadas, a experiência, o conhecimento sobre si mesmo em relação a como rendem mais nos estudos e o quanto os adultos já sabem passar por obstáculos.  

Detesto injustiças e sobre coisas diferentes julgamentos diferentes. Sobre as novas tecnologias que escreva alguém mais jovem se as crianças ganham deles. Mas precisa que seja jovem o suficiente para saber o que é nascer numa época em que já existia tudo que as crianças têm hoje.
Mantendo a questão da injustiça. Por que dizer que as crianças aprendem mais rápido em comparação aos adultos se não é dada ao adulto a chance de não ter que se preocupar com contas, com o cuidado das relações com amigos e familiares, com os desgastes do trabalho, com a energia gasta em um relacionamento amoroso e muito mais.
Sendo justo com as crianças devemos admirá-las. Sim, são fascinantes e é ótimo observá-las em seu aprendizado em massa. São folhas de papel em branco prontas para aprender tudo em um processo que nunca termina. Não esqueça que você já foi uma e nem por isso parou de aprender.
Para terminar, dê igualdade de condições em tudo que for possível e se quiser continue apostando nas crianças, mas eu aposto nos adultos.

Alguém faça uma pesquisa séria sobre isto, por favor. Enquanto não fazem, reflitam sobre esta igualdade de condições.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Conversa vai, conversa vem e... tudo por tela e teclado.

 Não. Do lado que eu sou muitos dizem que são, mas as atitudes são incompatíveis. Partido é uma coisa, ser humano é outra. O partido é plural, um político é singular. O partido nada faz, nada mais é do que algo definível, explicável, controlável, maleável, mutável e etc. Os partidos não são a única forma de mudar nada, pessoas mudam, agem e se acreditas tanto que partido e pessoas se confundem eu lamento. Escrevi atitudes que pessoas mereciam ter como reconhecidas, igualmente sei eu, sabes tu e toda uma nação das muitas nojeiras. Se tens lista de coisas boas és competente o suficiente para saber a lista imensa de desgraças. Não compactuo com a ideia do: rouba, mas faz. Não vou perder meus valores por partido nenhum. Roubou e demais cafajestagens vai pra lista de cretinos, calhordas, facínoras, nazi-fascistas e toda sorte de palavra ruim que me ajude a desabafar. Primo, escrevi no outro post e aqui repito. Não estou ligado. Isso é muito sério. Imagine você, eu lhe chamando de algo que não gostes. Imaginou? Você teve o direito de se auto declarar do PT. Se disse apaixonado, menos que antes, mas ainda apaixonado. Imagine que é fácil para mim concluir que se eu disser: - ei de direita! ei PSDBista e seja qual for a denominação que não aprecies, você vai se chatear. Igualmente tenho o direito de repetir, SOU LIVRE, talvez eu esteja falando de algo que não compreendas, mas ao dizeres que não sou... já perece que não fazes ideia. Primo, vá além, pense além! Em quem votei? Quando votei? Veja primo o quão concreto é isso. São suas palavras de minutos atrás. A pergunta mais importante é por que votou? Veja que assim que pôde você explicou a razão de votar no PT. É sua ideologia, sua paixão e sua herança familiar. Correto? Eu vou te dar uma resposta. Resposta que vai além do que perguntastes. Votei a primeira vez perto dos 16 anos. Estava ali colado a redução da idade para votar. Desde então já há uma diferença abissal entre nós. Votei em quem eu quis e não em quem meus pais disseram. Outra diferença, meus votos sempre que possível foram por acreditar no indivíduo e não nos partidos (mais uma vez desde muito cedo e diferentemente de qualquer pessoa que eu conhecesse), meus votos seguem uma ideologia minha e isso é libertador e pode até apavorar os poderosos, essa ideologia minha encontrou eco e eu fiquei feliz ao saber que pessoas já pensavam assim, essa ideologia é a da alternância de poder(se é a certa ou a melhor? é a minha, respeito a dos outros). Também muito cedo saí do escudo da indiferença. Novinho já me doía ver pedintes, ver miséria em todos os lugares, sujeira, professores mau pagos, violência demais( você realmente leu a postagem com as 107 MIL mortes? nem falou nada a respeito). Se votei nulo não temos pra quê continuar a discussão? Tudo bem. Não vou dizer se votei ou não. O voto é uma parte e não o todo. E o motivo da postagem foi qual? Primo Paulo Braz!! Não entendi o motivo da postagem. Tu que em uma das mensagens colocastes que sequer a postagem estava com informações corretas. Podes me ajudar? Mateus Braz, já na união das duas postagens, seja aqui ou na da energia elétrica, informação e fonte foram mencionadas. Aqui a informação foi contestada por Paulo inclusive do jeito que gostas, com link e tudo. O que houve? Foi ignorada solenemente a informação? Como falei no outro post, para que tanto esforço em mostrar as fontes se o outro não quer ver? Aqui, em resumo, começou com uma mentira. Na outra pelo menos foi uma queixa legítima, uma queixa pessoal. Queixa de Cristiana Braz, queixa minha, queixa de quem quiser se queixar sem precisar mentir. Sem mais.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Respondi, mas nem sei se a pergunta era para mim.


Assim começou: "nao sei se consola, mas por aqui nao ta melhor"

A mim não consola, mas se consolar outra pessoa já vale alguma coisa.
Não conheço todos os detalhes da crise na Europa e nem os detalhes de cada país. Mas dinheiro não é o fator determinante para meu julgamento. Vamos ver pessoas sofrendo na Europa e já acompanhamos isso há um tempo por um fator($$$ falta de dinheiro e decisões cretinas dos governantes), mas dá para focar em algo. No Brasil é difícil escolher a sequência de desgraças.
  • Francisco Braz Em países anos-luz à frente do Brasil o desempregado anda a procura de emprego e pelo menos calçada tem. Se desloca pela cidade e pelo menos transporte bom tem. Vai chorar e reclamar da crise, mas vai fazer isso em um lugar com índices de violência irrisórios e vai saber de alguma notícia econômica que sinalize fim da crise em seu ipad sem que um ladrão lhe aponte um 38 ou quem sabe faça o favor de cessar suas angustias ao manda-lo para outro plano, seja o de cima ou o de baixo. Aí fica com sua crença.



    Essa parte não está la nas respostas: Ah! Lembrei do caso do incêndio na boate em Santa Maria-RS, na Europa tá igual mesmo? Realmente está pior? Vamos perguntar aos familiares das vítimas as respectivas opiniões.
    E vamos interpretar a quantidade de boates e estabelecimentos sendo interditados por causa desta tragédia.
    Cultura tupiniquim, 
    o carro está na frente dos bois, 
    a casa construída se começando pelo teto,
    a porta sendo fechada depois que se é assaltado,
    o certo é feito depois que já é tarde.
    Neste caso não dá para falar o nunca é tarde, vidas não voltam. De novo, vida não tem preço. 

    Como é que queremos um país que busca resultados monetários e em todas as esferas, todos os lugares, classes sociais, profissões, em tudo o valor da vida está desvalorizado? Como?

    Eu quero um país rico, mas o dinheiro tem de ser o carro e a vida os bois.
    Eu quero um país rico, mas o dinheiro tem de ser o teto e a vida o alicerce.
    Eu quero um país rico, mas a ordem dos fatores faz uma diferença inefável.



quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

As calçadas das cidades do meu Brasil.















Imagina na Copa!



Nas calçadas o que se faz
é rallye para pedestres
têm buracos ali na frente
têm buracos também atrás
nas cidades do Brasil
é fácil cair num funil.

Nas calçadas o que se vê
é uma grande variedade
tem as poucas inteiras
e uma parte que nem são metade
as de terra e as de cimento
tem as de grande movimento
dá para encontrar até jumento
e isso não é novidade
nas cidades do Brasil
tem calçada que ninguém nunca viu.

As calçadas ainda
são prova de democracia
cada um faz de um jeito
sempre podem ser diferentes
quer seja na casa do prefeito
ou na delegacia
nas cidades do Brasil
piada é falar meio-fio.



















As calçadas nem ao menos
têm serventia definida
uns pensam que é banheiro
outros que é estacionamento
algumas de fato são atoleiros
com lama em sua constituição
e em toda a nação
as calçadas precisam ser bem varridas
pois na cidades do Brasil
vacilou nas calçadas caiu.

Veja! Preste bem atenção! Com a prosa sem rima.
A métrica nem existe lá em cima
e isso é de tanto pensar nas calçadas
pois existem as ladrilhadas
azulejadas
por raízes e árvores tomadas
inclinadas e detonadas
com uns tais ferros chumbados
outras com mesas, lixo, bancas de revista,
e é preciso ser muito artista
para não acabar massacrado.

Será que há mais a dizer?
É só uma fruta bater
em cima da sua cabeça
ou de um bem seu muito precioso
Que escape se for um idoso!
Uma criança ou outro inocente!
e só mesmo um demente
para não sair do repouso.

As calçadas também
tem uma variedade bostal
tem bosta de vaca e cavalo
de pombo é até normal
mas é fácil encontrar de gente
tamanha a imundície
a bosta de ser humano
conta como a de mais um animal
tem a do melhor amigo
do gato e do bode
e só o que não pode
é me obrigar a achar legal.

Eu já vi calçadas largas
e outras bem estreitinhas
outras a bem da verdade nem mesmo existiam
se você tá me entendendo
leia junto as entrelinhas
do jeito que as calçadas são
quem pudesse não as usariam.

De tantas possibilidades
só falando das calçadas escreveria um livro
caminharia pelas cidades
e registraria as mais bizarras
assim documentava
o que aqui só foi dito
nas calçadas do Brasil
a vontade é dizer
vai melhorar em Abril.


















quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Seu Doutor os nordestinos têm muita ilusão.

Por que o Brasil não deixa de ser o país da impunidade e pega todo o dinheiro dos superfaturamentos, mensalões, desvios e obras inacabadas e salva nossas vaquinhas e nossas vidas?

Tenho repetido tanto: somos tão gado.

Pode ser uma das mais tristes descobertas ou das mais tristes convicções. Mais uma vez e sempre que eu me lembrar: não precisas concordar e eu me obrigo a respeitar. Uma vez dito isto, sigo ao dizer que tenho tido cada vez mais certeza de como as aulas de geografia estavam incompletas ao mostrar as pirâmides sociais. Incompletas, contudo capazes de aumentar muito o conhecimento de quem as compreendeu. Talvez a razão de não ter sido abordado muitos aspectos das pirâmides seja a idade em que ela chega, chegava até nós. Eu era uma criança quando as conheci e no máximo as estudei na adolescência.

A reflexão me jogou contra um muro de concreto e ficou em mim como ferro em brasa. A conclusão foram as consequências. Estou em pedaços e o que resta tem uma marca que não sai. Base larga e uma ponta fina no topo. Descoberta triste? Quem está em cima cuida dos que estão embaixo como fazendeiros de seus rebanhos. Dão carinho, amor, comida, cuidam da vacinação, da reprodução, da alimentação, das agitações, etc. Quem conhece fazenda deve estar já se contorcendo, mas se você continuar e assistir alguns documentários, estudar, ler mais a respeito, pesquisar e o mais importante: refletir e aprofundar a reflexão, pode ser que vá sentir o ferro em brasa ou ver que a marca estava lá e você nem sabia.

Por onde começar? Se eu puder sugerir, comece pela revolução industrial na Inglaterra. Era necessário cuidar do povo para ter a mão de obra. Vida de gado. Gente=gado. Deveria estar lá no dicionário.

Gostas da palavra povo? Quem é o povo? Você é? Eu? Eu sou. "Eu sou do povo, eu sou o Zé ninguém".

Para seguir a dolorida reflexão que tal algo mais próximo? Os escravos no Brasil. Caramba, este exemplo é forte demais! Alguns eram marcados literalmente. Comprados e vendidos. Êêêêêêê ôôôô! Vida de gado. Gente=gado. Deveria estar lá no dicionário.

Quer achar que só em casos muito específicos e com muito trabalho dá para sustentar esta ideia? Sorte sua. Desta vez não vou me alongar e fazer um texto gigantesco. Mas olha como vou terminar!
Conversa com um boi, uma vaca, um porco, uma ovelha ou seja lá que animal de fazenda você escolher. Ele vai te responder? Melhor ainda, ele sabe que é gado?
Em outras palavras: quem é gado provavelmente não sabe que é gado. E mesmo o "gado gente" continuo chamando de gado quando escapa de apenas uma das duas formas de ser gado.
Ou se é gado mentalmente,  os que sequer sabem que são, ou se gado por ser tratado como um.
Eu sou gado queridos leitores, pois sei há tempo que assim sou tratado pelos da pontinha da pirâmide, mas minha boa notícia é ter a consciência disso e ser 50% menos gado.

P.S.: adoro gado, fazenda e animais, contudo usei a palavra gado de forma assumidamente negativa. Que todos os animais me desculpem.
 




   

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Interpreta alguns números para mim.

Você tem quantos amigos nas redes sociais? Milhares?
Você tem quantos seguidores no twitter? Milhões?
Sabe quantos cutir apertou hoje? Quantos compartilhar? Zilhões?

E nesta falta de tempo para tudo, quanto tempo sobrou para fazer a seguinte análise:
Quantos abraços destes?
Quantos recebestes?
Quantas vezes perguntastes se alguém estava bem e foi puramente automático ao invés de ser por realmente querer ouvir?
Quantas vezes olhastes alguém nos olhos e quantas olharam em teus olhos?
Quantos beijos? No rosto foram quantos? Na boca, algum? E foi sentindo cada beijo ou tão mecanicamente quanto se já tivéssemos máquinas fazendo isto e pudéssemos ter longos debates acalorados sobre isto?

Notícia de última hora: "-acabam de inventar o robô do beijo. No modelo básico conseguimos um exemplar que dá até 30 bejinhos no rosto. Para os magnatas, um mimo, modelos de luxo estão em fase de testes e dão beijos calientes."

Eu conversava com meus amigos mais próximos e eles me questionavam tanto e tão efusivamente como suportaria ficar longe dos amigos ao ir morar no Canadá.
Eu tristemente respondia:
-Da mesma forma que suporto aqui.
Lembrava para eles que a conversa estava ocorrendo via internet e que quando é assim não há diferença entre estar a milhares de kilômetros de distância ou na mesma rua. A tela é a maneira que estamos demonstrando quase tudo. Vem beijos em formato bjs, abraços tipo abs, risadas contagiantes quanto um kkkkkkkkkkkkkkkk pode ser e por aí vai.
 Dizia para meus amigos o quanto lutei contra isto e que me sentia cansado desta luta especificamente. Assumi a derrota. Eles assumiam que era verdade.
Seja pela violência, pelo cansaço do dia a dia ou por comodismo, há uma coletânea de razões sagrando-se campeãs no trabalho de fazer as pessoas trocarem pele por tela.

Você e seus amigos estão fora dessa? Interpreta esses números pra mim.









terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Quer um texto a cada hora?

A preocupação é justa. O dia tem 24 horas. Quantas horas em média as pessoas estão ficando conectadas? E ao ficarem conectadas quantas informações conseguem receber?
Está restando quanto tempo para a reflexão?

A preocupação é justa. Que tal ter como princípio a qualidade em detrimento da quantidade? Um jornalista pode facilmente ser esmagado e principalmente cobrado para gerar um volume grande de informações. Enquanto leitores e livres das pressões típicas dos jornalistas aproveitem, deliciem-se com a maturação da informação.

Que tal transformar a informação em algo similar aos vinhos, whiskies e demais coisas, que envelhecidas vão ficando melhores com o passar do tempo?

Não que a notícia de desastres, assassinatos e demais tragédias vão ficar melhores no sentido que o ruim vai ficar bom, o triste virar alegre, o possível de melhorar é a compreensão e aprofundamento das informações.

A preocupação é justa. E quantas vezes a notícia mais recente que você está lendo, assistindo ou ouvindo é mais do mesmo, um deja vù e uma sensação de notícia velha? E as notícias que virão daqui há alguns minutos, daqui há algumas horas ou só na manhã seguinte você seria capaz de adivinhar?
Extra!
Extra!
Trânsito lento na rua X.
Mulher assassinada pelo marido.
Escândalo no Congresso Nacional.

Veja nesta edição do Telejornal Y!
Obras são investigadas por suspeita de superfaturamento.
Bala perdida atinge morador enquanto descansava no sofá da sala.
Seca atinge milhões de pessoas e afeta a produção de alimentos.

A preocupação é justa. A quem interessa fazer com que ao receber uma informação, recebamos outra e outra e outra e outra e outra e outra e mais 1000 000 de outras e qual foi a primeira mesmo? Sobre o que é este texto? Lembra a confusão? Se sentiu confuso? Lembra como este texto começou? O que foi que você leu antes de estar lendo este texto?

A preocupação é justa. Melhor ler aquilo que te faz pensar. O bom é ler algo que te dê vontade de ler uma segunda, terceira, quarta e muitas outras vezes. Seria algo positivo ler algo que te relembra o quanto és inteligente? Seria bom ler um texto que te respeita exatamente por te provocar? Te agrada receber a avalanche de informações diárias como se pensamentos não pudessem ter origem em você e sim serem "engolidas" por alguém, depois que este alguém precisou antes "mastigar" essa informação e no momento de te entregar será uma "regurgitação"?
Pareceu algo nojento? Puxa na memória a cena de um pássaro regurgitando na boca dos filhotes. Sintam-se muito à vontade para achar nojento ter ao seu redor tanta informação obedecendo a esse processo. Não existe como princípio a notícia como um produto artesanal.

O que existe é: te dou de montão e aí te impossibilito de ter tempo para a reflexão.



Eu sou o fotógrafo!

Eu sou o fotógrafo!
Essa foto me enche de orgulho. Eu acho que ficou perfeita.